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sábado, 31 de outubro de 2015

O "tu" está saindo do vocabulário dos gaúchos? Um post no Facebook lançou uma polêmica linguística: estaria o gaúcho trocando de pronome na hora de conversar? Pesquisadores e professores comentam as mudanças na “língua” no Rio Grande do Sul

Um post no Facebook lançou uma polêmica linguística: estaria o gaúcho trocando de pronome na hora de conversar? Pesquisadores e professores comentam as mudanças na “língua” no Rio Grande do Sul


Foto: Arte ZH / Arte ZH

Paula Minozzo



Pergunte ao Google: “Como falar com sotaque gaúcho?”. Um dos primeiros resultados sugeridos pelo buscador, provavelmente, será um site que oferece um breve tutorial com dicas específicas para falar como um sulista. Clique. O primeiro item é: “Use o tu na gramática, gaúchos não falam você”.


Há algumas semanas, um post no Facebook do jornalista André Benedetti, 39 anos, causou burburinho na rede social sobre o uso do pronome da segunda pessoa no sul do país. O morador de Caxias do Sul escreveu que seus filhos e as crianças com quem ele convive têm o hábito de usar o “você”. Não demorou para que outras pessoas se identificassem com a situação. Estava lançada a polêmica: estaria o gaúcho abrindo mão do “tu”?

Benedetti conta que, quando os dois filhos, Guilherme, cinco anos, e Felipe, três, estavam aprendendo a falar, usava o pronome “você” ao se dirigir aos meninos por ser “mais carinhoso”, soar mais leve e para fugir dos erros gramaticais – no dia a dia, pecamos ao utilizar o “tu” com o verbo na terceira pessoa do singular. 

– Mas sempre fui um defensor de falar “tu”, achava bonito manter, é parte da nossa identidade – ressalta Benedetti.

Ele e a mulher admitem que já aderiram ao pronome da terceira pessoa para falar com os guris. “Culpa” de um mundo cada vez mais conectado e comunicativo.

– Acho que as pessoas estão escrevendo muito mais, todo mundo passa o dia digitando. O perfeccionismo e o politicamente correto da escrita estão levando as pessoas a falarem “você” para não conjugarem o verbo de maneira errada – opina.

O primeiro comentário na publicação de Benedetti foi o da analista de marketing Renata Gravina, 43 anos: “Esta semana, ainda brinquei com o Pedro (seu filho de 13 anos): que ‘você’ o quê, guri, fala direito, que tu é gaúcho”. 

– Pelo WhatsApp e nas redes sociais, ele só fala “você”, e até abrevia para “vc” às vezes – diz. 

O debate que começou no Facebook foi parar em um grupo de WhatsApp de 15 mães que moram na Capital. A médica Beatriz Luzardo Cardoso, 44 anos, enviou para as amigas uma mensagem de áudio contando a experiência que teve com a filha Maitê, quatro anos. Natural de Alegrete, Beatriz ouvia a filha, que então tinha dois anos e meio, usar o “você” em casa. Até a família, na Fronteira, perguntou o porquê de a menina, que ainda aprendia a falar, usar o pronome da terceira pessoa com os parentes. 

– Achamos bonitinho primeiro, mas logo começaram a dizer: “Vocês estão ensinando essa criança errado?”– recorda.




TODA A MATÉRIA ESTÁ NO DIÁRIO GAÚCHO