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terça-feira, 19 de setembro de 2017

MELHORES REMÉDIOS PARA DIFERENTES TIPOS DE DOR... Conheça os diferentes tipos de dor e saiba quais são os medicamentos mais indicados para o tratamento de cada uma deles.

A dor é um sintoma tão comum, que é a principal queixa que leva os pacientes a procurar atendimento médico, sendo também uma frequente causa de debilitação ou até mesmo incapacitação, dependendo da sua intensidade e frequência.
Existem dezenas de situações no nosso organismo que podem causar dor, entre elas, podemos citar: lesões traumáticas, inflamações, infecções, distensão de órgãos ocos, lesão de nervos e até mesmo dor de origem psicogênica.
Cada dor tem suas próprias características, o que faz com que o tratamento não seja necessariamente o mesmo para todo o tipo de dor. Uma dor de cabeça não é tratada da mesma forma que uma dor garganta, assim como uma dor por neuropatia diabética tem tratamento distinto ao de uma dor de cólica menstrual.
Neste artigo vamos explicar quais são os diferentes tipos de dor e quais são os medicamentos mais indicados para cada uma delas.

O que é dor

A dor é um sintoma que nos acompanha desde os primeiros momentos da nossa existência. Ela está tão presente nas nossas vidas, que nenhum de nós tem dificuldade de reconhecer o que é uma dor. Porém, se reconhecer uma dor é fácil, reproduzir o seu significado em palavras já não é uma tarefa tão simples.
Uma definição de dor usualmente aceita é a da Associação Internacional para o Estudo da Dor, que diz o seguinte, em uma tradução livre: dor é uma desagradável experiência sensorial e emocional, que é desencadeada por um real ou potencial dano de algum tecido, ou por alguma situação que seja interpretada como dano tecidual.
De forma mais simples, podemos dizer que a dor surge quando há uma lesão de algum tecido (um trauma, por exemplo), quando há algum estímulo que possa vir a causar dano tecidual se não for interrompido (como quando temos dor após ficarmos em uma mesma posição durante muito tempo) ou quando algum estimulo não necessariamente danoso é interpretado como tal (como na enxaqueca, que é uma dor de cabeça que surge sem que haja qualquer lesão na cabeça).

Tipos de dor

Os tipos de dor costumam ser classificadas de acordo com as suas duas principais características: duração e origem.
Classificação de acordo com a duração da dor
A dor pode ser classificada como dor aguda ou dor crônica.
Chamamos de dor aguda aquela dor de curta ou média duração, que persiste enquanto não houver cura da lesão ou enquanto o agente agressor não for eliminado. A dor aguda pode durar de poucas horas até várias semanas.
Alguns exemplos de dor aguda são:
  • Dor do parto.
  • Dor no pós-operatório.
  • Traumas.
  • Dor de garganta provocada por uma infecção.
  • Dor de dente provocada por alguma inflamação.
  • Queimaduras.
Já a dor crônica, também chamada de dor persistente, é aquela que prolonga-se por mais tempo do que o necessário para que uma lesão tecidual se cure. A dor crônica costuma durar semanas, meses ou até anos.
Alguns exemplos de dor crônica são:
Classificação de acordo com a origem da dor
A dor também pode ser classificada de acordo com a sua origem fisiopatológica. Neste caso, ela pode ser dividida de três formas:
1- Dor nociceptiva
Um nociceptor é uma fibra nervosa especializada em sentir estímulos nocivos ou estímulos que podem se tornar nocivos, caso ele se prolongue. A dor nociceptiva é aquela que surge quando há realmente alguma lesão em tecidos ou órgãos.
Os nocireceptores conseguem distiguir três categorias de dano tecidual: térmico (como queimaduras por calor ou frio), mecânico (como impactos, cortes, lacerações ou esmagamento) ou químico (como lesão por substâncias abrasivas ou quando há contato de álcool com pele ferida).
A dor nociceptiva também pode ser dividida em visceral, somática profunda ou somática superficial:
A dor visceral é aquela que ocorre por dano nas estruturas viscerais, ou seja, nos órgãos internos. Situações que habitualmente provocam dor visceral são a distensão ou contração, isquemia (falta de aporte sanguíneo adequado) ou inflamação. A dor visceral costuma ser difusa e mal localizada, motivo pelo qual uma dor no coração pode ser sentida no braço ou uma dor no estômago pode se apresentar como dor em toda a barriga. A dor visceral é frequentemente acompanhada de mal-estar, náuseas e vômitos.
A dor somática profunda é aquela iniciada pela estimulação dos nociceptores presentes em estruturas mais profundas que a pele, como ligamentos, tendões, ossos e músculos. Ela também é uma dor difusa ao redor da região acometida, mas um pouco mais bem localizada que a dor visceral.
Já a dor somática superficial é aquela que surge por ativação de nociceptores na pele. Esse tipo de dor é bem localizada e fácil de ser definida.
2- Dor neuropática
A dor neuropática é uma dor provocada por uma ativação anormal do sistema nervoso central ou periférico. Não há necessariamente uma lesão de um tecido ou órgão, mas sim uma lesão ou disfunção dos nervos responsáveis pela identificação da dor. Esse é o tipo de dor que surge em pacientes com neuropatia diabética, herpes zoster, hérnia de disco ou lesões do nervo trigêmeo.
Apenas como curiosidade, os pacientes amputados podem sentir dor no membro que já não existe mais. O paciente pode não ter uma perna, mas por uma ativação inapropriada de certas fibras nervosas, ele pode sentir dor no pé esquerdo, apesar deste já ter sido amputado há muito tempo. Essa dor é chamada de dor do membro fantasma, que é também um tipo de dor neuropática.
3- Dor psicogênica:
É a dor de origem emocional, que apesar de não ter origem em nenhum dano tecidual ou problema do sistema nervoso, pode ser incapacitante e de difícil tratamento.

Medicamentos mais utilizados para tratar a dor

Existem dezenas de medicamentos diferentes que podem utilizados para tratar quadros de dor aguda ou crônica, que vão desde analgésicos simples e anti-inflamatórios até medicamentos que agem no sistema nervosos central, com antidepressivos ou anticonvulsivantes.
A seguir, vamos mostrar as principais classes farmacológicas que podem ser utilizadas no tratamento dos diferentes tipos de dor.
1- Analgésicos não opioides
Os analgésicos não opioides, também chamados de analgésicos comuns, costumam ser a primeira linha de combate à dor leve a moderada de origem somática. São medicamentos, que se administrados nas doses recomendadas, têm pouquíssimos efeitos colaterais. Por outro lado, são também fármacos com potencial analgésico limitado e não têm ação inflamatória.
Os dois analgésicos não opioides presentes no mercado são o paracetamol e a dipirona (metamizol). Como ambos também têm ação antipirética, eles são muito utilizados nos casos em que o paciente tem dor e febre, como nas gripes e nos resfriados (leia: DIFERENÇAS ENTRE GRIPE E RESFRIADO).
Situações nas quais a dipirona e o paracetamol podem ser indicados nos seguintes casos de dor leve a moderada:
  • Dor de dente sem inflamação relevante.
  • Dor muscular.
  • Cólicas menstruais (dipirona funciona melhor que paracetamol neste caso).
  • Dor de cabeça.
  • Dor de garganta sem inflamação relevante.
  • Quadro de dor associado à febre.
Apesar dos analgésicos não opioides serem pouco eficazes contra quadros de dor intensa quando administrados isoladamente, eles podem ser usados como terapia adjuvante, de forma a aumentar a potência analgésica de fármacos mais potentes. Não é incomum encontrarmos remédios que associam a dipirona ou o paracetamol a outros analgésicos mais potentes, como o tramadol, por exemplo.
Os analgésicos comuns também podem ser usados como tratamento adjuvante da dor neuropática. Eles sozinhos, porém, têm pouca eficácia nesse tipo de dor.
Explicamos a dipirona e o paracetamol de forma mais profunda nos seguintes artigos:
2- Anti-inflamatórios não-esteroidais (AINES)
Os anti-inflamatórios também são indicados para as dores somáticas de leve a moderada intensidade. Todavia, essa classe é mais eficaz no tratamento da dor que os analgésicos comuns, principalmente se houver algum processo anti-inflamatório na sua origem. Assim como os analgésicos, os AINES também têm ação antipirética.
Apesar de serem mais fortes que os analgésicos, principalmente nas dores somáticas profundas, os AINES apresentam um perfil de efeitos colaterais pior e uma lista de contra-indicações mais abrangente.
Exemplos de anti-inflamatórios:
– Diclofenaco.
– Ibuprofeno – Leia: INFORMAÇÕES SOBRE IBUPROFENO.
– Naproxeno.
– Nimesulida – Leia: NIMESULIDA | Bula para leigos.
– Indometacina.
– Cetoprofeno.
– Ácido mefenâmico.
– Piroxican.
– Colecoxib.
– AAS (ácido acetilsalicílico) – Leia: INFORMAÇÕES SOBRE O AAS – ASPIRINA.
Entre as situações que o anti-inflamatórios costumam estar indicados podemos citar:
Os anti-inflamatórios de ação tópica, sejam em gel, pomada ou spray, têm ação limitada, mas podem ser uma boa opção nos casos de dor muscular ou articular aguda e de pequena intensidade, pois provocam bem menos efeitos colaterais que os medicamentos por via oral.
Explicamos os anti-inflamatórios de forma mais profunda no seguinte artigo: ANTI-INFLAMATÓRIOS – Ação e Efeitos Colaterais.
3- Antiespasmódicos
Os antiespasmódicos, conforme o próprio nome sugere, são fármacos que agem inibindo o espasmo muscular de alguns órgãos ocos, tais como intestinos, estômago, ureteres, vesícula biliar ou útero. O espasmo, que é uma contração muscular intensa e involuntária, se manifesta habitualmente como um quadro de dor tipo cólica.
Os antiespasmódicos são, portanto, um grupo de medicamentos que podem utilizados para o tratamento da cólica, que é uma forma de dor nociceptiva de origem visceral. Os antiespasmódicos não servem para o tratamento da dor somática ou de qualquer outra dor visceral, que não seja do tipo cólica.
Exemplos de fármacos com ação antiespasmódica:
  • Butilescopolamina (mais conhecido como Buscopan).
  • Papaverina (mais conhecido como Atroveran).
  • Pinavério (mais conhecido como Dicetel).
Entre os quadros de dor que podem ser tratados antiespasmódicos podemos citar:
Explicamos a ação da butilescopolamina (Buscopan) com mais detalhes no seguinte artigo: BUSCOPAN – Indicações, Como tomar e Efeitos Colaterais.
4- Analgésicos opioides
Os opioides, ou opiáceos, são fármacos com potente ação analgésica, que agem em receptores do sistema nervoso central, impedindo que os estímulos dolorosos captados pelos nervos sejam reconhecidos pelo cérebro. Os opioides recebem esse nome por serem derivado do ópio, substância extraída das papoulas (o mesmo que dá origem ao narcótico heroína).
Entre os medicamentos que pertencem à classe dos analgésicos opioides podemos citar:
  • Morfina.
  • Codeína.
  • Meperidina.
  • Fentanil.
  • Oxicodona.
  • Propoxifeno.
  • Hidrocodona.
  • Tramadol.
Os opioides costumam ficar reservados aos quadros de dor intensa, que não respondem a outros medicamentos ou nos pacientes com dor de origem oncológica. Grandes queimados, politraumatizados, crises de dor ciática ou intensa dor no pós-operatório são algumas das indicações para o uso de opiodes.
Entre os efeitos colaterais mais comuns dos opioides estão a sedação, náuseas, vômitos, retenção urinária, constipação intestinal e depressão respiratória.
Apesar de ser uma classe de analgésicos eficaz contra todos os tipos de dor (somática, visceral ou neuropática), o seu uso prolongado deve ser evitado, pois além de causar dependência, o paciente pode desenvolver tolerância, precisando de doses cada vez mais altas com o passar com o tempo. O uso de opioides por mais de 30 dias deve ser evitado, a não ser em situações específicas, como em pacientes com câncer.
Dentre todas as opções de analgésicos opioides, o tramadol é aquele que possui menor risco de dependência e um perfil de efeitos colaterais mais benigno.
5- Anticonvulsivantes
Medicamentos usados no tratamento da epilepsia podem ser usados para tratar dor neuropática, principalmente aquelas provocadas pelas seguintes doenças:
Entre os anticonvulsivantes usados no tratamento da dor neuropática, três se destacam: gabapentina, pregabalina e carbamazepina.
6- Antidepressivos
Os antidepressivos, principalmente aqueles da família dos antidepressivos tricíclicos (imipramina, nortriptilina e amitriptilina) e os inibidores seletivos da recaptação da serotonina e da noradrenalina (venlafaxina e duloxetina), também podem ser usados no tratamento da dor neuropática, tendo o paciente depressão ou não.
Os antidepressivos são eficazes contra a dor de origem psicogênica.
A duloxetina, especificamente, também parece ser eficaz como tratamento adjuvante da dor lombar crônica e da osteoartrose.

https://www.mdsaude.com/2016/10/remedios-para-dor.html

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

MALEATO DE ENALAPRIL – Para Que Serve e Posologia. Este artigo é uma bula simplificada do maleato de enalapril, um dos medicamentos anti-hipertensivos mais prescritos em todo o mundo.

Maleato de Enalapril
O maleato de enalapril é um fármaco utilizado no tratamento da hipertensão arterial, que pertence à classe dos inibidores da enzima de conversão da angiotensina (IECA), sendo estruturalmente semelhante aos outros medicamentos desta classe, tais como o captopril, ramipril, lisinopril e perindopril.
Além de anti-hipertensivo, o enalapril também pode ser usado como parte do tratamento da insuficiência cardíaca, da nefropatia diabética e da insuficiência renal crônica.
Neste artigo, vamos abordar os seguintes pontos sobre o maleato de enalapril:
– Mecanismo de ação.
– Indicações.
– Nomes comerciais mais famosos.
– Como tomar.
– Efeitos colaterais.
– Contraindicações.
– Interações medicamentosas.
Atenção: este texto não pretende ser uma bula completa do enalapril. Nosso objetivo é ser menos técnico que uma bula e mais útil aos pacientes que procuram informações objetivas e em linguagem acessível ao público leigo.

Mecanismo de ação

O enalapril, assim como qualquer medicamento da classe dos IECA, age impedindo a formação de um hormônio chamado angiotensina II, que é um dos responsáveis pelo controle da pressão arterial. A angiotensina II estimula a contração dos vasos sanguíneos e uma maior absorção de sódio pelos rins. Essas duas ações resultam em elevação da pressão arterial.
A angiotensina II é, portanto, uma substância que impede que tenhamos hipotensão. O problema é que em algumas pessoas, o funcionamento deste hormônio não está devidamente “calibrado”. Cerca de 3/4 dos pacientes que são hipertensos apresentam níveis de angiotensina II acima dos valores que seriam necessários para manter uma pressão arterial normal. Desta forma, a inibição da sua produção com o enalapril acaba sendo uma efetiva forma de baixar a pressão arterial neste grupo.
Mas nem todos os indivíduos hipertensos apresentam problemas com a angiotensina II. Na verdade, pelo menos 25% dos hipertensos apresentam níveis baixos de angiotensina II. Nestes casos, o enalapril acaba sendo um fármaco anti-hipertensivo pouco eficaz, principalmente se for utilizado como monoterapia, ou seja, sem outro anti-hipertensivo associado.
Esta informação é importante porque sabemos que os afrodescendentes e os pacientes idosos costumam ter uma hipertensão com níveis baixos de angiotensina II. Portanto, o enalapril não deve ser a primeira opção de tratamento para hipertensão arterial nesses pacientes. Neste grupo, o enalapril costuma ser indicado apenas em conjunto com algum diurético, como a clortalidona ou a hidroclorotiazida.
Por outro lado, hipertensos jovens e de etnia branca são aqueles que habitualmente apresentam angiotensina II elevada ou normal*, sendo o enalapril uma opção bastante eficaz para controlar a pressão arterial.
* Um valor normal também não é adequado nestes casos, pois se o paciente está hipertenso, o esperado era que a produção de angiotensina II fosse naturalmente inibida e os valores no sangue mantivessem-se baixos.

Quem deve usar o enalapril

A inibição da angiotensina II tem diversos efeitos benéficos para o nosso organismo. Os principais são:
– Redução da pressão arterial.
– Tratamento da insuficiência cardíaca – leia: INSUFICIÊNCIA CARDÍACA – Causas, Sintomas e Tratamento.
– Redução da proteinúria (perda de proteínas na urina) – leia: URINA ESPUMOSA E PROTEINÚRIA.
– Redução da progressão da insuficiência renal crônica – leia: INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA – Sintomas, Causas e Tratamento.
O enalapril é indicado como tratamento de primeira linha para hipertensão arterial, devendo ser a primeira escolha caso o paciente apresente também qualquer uma das doenças listadas acima.

Nomes comerciais do enalapril

O maleato de enalapril já existe no mercado há muitos anos e pode ser facilmente encontrado sob a forma de medicação genérica.
Entre os nomes comerciais, o mais famoso é o Renitec, do laboratório Merck Sharp & Dohme, que é considerado o medicamento de referência para a substância enalapril.
Além do Renitec, outros nomes comerciais facilmente encontrados nas farmácias são:
– Angiopril.
– Atens.
– Enalabal.
– Enalamed.
– Enaplex.
– Enaprotec.
– Eupressin.
– Glioten.
– Pressel.
– pressocord.
– Pressomede.
– Pressotec.
– Prilan (Portugal).
– Pryltec.
– Renalapril.
– Tensazol (Portugal).
– Vasopril.

Como tomar o enalapril

O maleato de enalapril é comercializado em comprimidos de 5 mg, 10 mg e 20 mg no Brasil e em comprimidos de 5 mg e 20 mg em Portugal.
A dose inicial deve ser de 5 mg a 10 mg, 1 vez ao dia, com ajustes a cada 1 ou 2 semanas até se obter o controle da pressão arterial.
A dose diária máxima recomendada é de 40 mg por dia, que pode ser administrada 1 ou 2 vezes por dia. Alimentos não interferem na absorção do comprimido.
Nos pacientes com insuficiência cardíaca ou proteinúria, a dose indicada é a mais alta que o paciente tolerar, respeitando o limite de 40 mg/dia.

Efeitos colaterais

Apesar de ser uma droga segura, alguns efeitos colaterais do enalapril são relativamente frequentes. Vamos falar apenas dos mais comuns e dos mais graves.
– Hipotensão: assim como ocorre com qualquer anti-hipertensivo, a hipotensão arterial é um dos efeitos colaterais possíveis do enalapril. Esse efeito ocorre em cerca de 2% dos pacientes.
Os sintomas da hipotensão costumam se manifestar como tonturas, fraqueza e súbito escurecimento da visão, que surgem, habitualmente, quando o paciente levanta-se de forma rápida.
A hipotensão é mais comum quando a dose inicial é muito elevada ou quando os pacientes apresentam uma ou mais das seguintes condições: idade acima de 60 anos, desidratação, uso concomitante de diuréticos ou insuficiência cardíaca. Neste grupo de pacientes, a dose inicial do enalapril deve ser de 2,5 mg a 5 mg.
– Hipercalemia (elevação do potássio sanguíneo): a elevação do potássio sanguíneo é um efeito adverso perigoso, pois pode provocar arritmias cardíacas graves.
A hipercalemia ocorre em cerca de 3 a 4% dos pacientes e é um dos principais motivos para suspensão do enalapril. O risco de hipercalemia é maior em pacientes diabéticos, portadores de insuficiência renal crônica, idosos ou que façam uso de medicamentos que também podem elevar o potássio, como anti-inflamatórios, anti-hipertensivos da classe dos ARA2 ou o diurético espironolactona.
Em muitos pacientes, a redução da dose e uma educação alimentar de forma a evitar alimentos ricos em potássio são suficientes. Em outros, porém, o enalapril precisa ser suspenso, pois os níveis de potássio sanguíneo permanecessem em faixas perigosas mesmo com doses baixas do medicamento.
– Tosse: 5 a 10% dos pacientes que usam enalapril podem desenvolver um quadro de tosse seca e persistente. A tosse costuma surgir cerca de 1 a 2 semanas após o início do tratamento, mas pode demorar até 6 meses para aparecer.
Todos os medicamentos da classe do IECA provocam tosse, motivo pelo qual a troca do enalapril por qualquer um deles não costuma ter sucesso. Quando a troca é necessária, sugerimos que ela seja feita com medicamento da classe dos ARA2.
– Agravamento da função renal: apesar do enalapril ser um medicamento indicado para proteção dos rins, em circunstâncias específicas, ele pode ser prejudicial à função renal. Pacientes desidratados, hipotensos, que fazem uso de anti-inflamatórios ou que apresentam insuficiência cardíaca descompensada são aqueles com maior risco de terem alterações da função renal potencializadas pelo enalapril.
– Angioedema e reação anafiláticas: a anafilaxia é um efeito adverso grave, mas felizmente raro, do enalapril. Angioedema ocorre em cerca de 0,3% dos pacientes (leia: ANAFILAXIA – Causas, Sintomas e Tratamento). Já a urticária é um pouco mais comum, ainda assim, acomete apenas 1 a 2% dos pacientes (leia: URTICÁRIA – Sintomas, Causas e Tratamento).

Contraindicações

O enalapril é contraindicado em pacientes com história de reação alérgica a qualquer medicamento da classe dos IECA.
O medicamento não deve ser prescrito em pessoas com estenose bilateral da artéria renal, níveis sanguíneos de potássio no limite superior da normalidade ou durante períodos de descompensação aguda da insuficiência renal.
O enalapril é contraindicado na gravidez e durante o aleitamento materno.

Interações medicamentosas

A administração conjunta do enalapril com os seguintes fármacos deve ser evitada:
– Alisquireno (Rasilez): maior risco de hipercalemia e hipotensão. – Anti-inflamatórios: maior risco de hipercalemia, hipotensão e lesão renal aguda. – Medicamentos da classe dos ARA II: maior risco de hipercalemia e hipotensão. – Alopurinol: maior risco de reações alérgicas. – Lítio: maior risco de toxicidade pelo lítio.
A administração conjunta do enalapril com os seguintes fármacos deve ser feita com cautela e monitorização dos riscos:
– Sulfametoxazol-trimetoprim (Bactrim): maior risco de hipercalemia. – Álcool: maior risco de hipotensão. – Espironolactona: maior risco de hipercalemia. – Aspirina: reduz a eficácia do enalapril. – Insulina: maior risco de hipoglicemia. – Antidiabéticos orais: maior risco de hipoglicemia. – Sirolimo: maior risco de reações alérgicas.
O enalapril não interfere com a eficácia dos anticoncepcionais hormonais.

https://www.mdsaude.com/2017/05/maleato-de-enalapril-bula.html

PARA QUE SERVE A VITAMINA B6 (PIRIDOXINA)? Saiba o que é a vitamina B6 e quais são os sintomas da sua carência.

A vitamina B6, também conhecida como piridoxina, é uma das 8 vitaminas que fazem parte do chamado complexo B.
Por ser uma vitamina hidrossolúvel, isto é, solúvel em água, a piridoxina não é armazenada no nosso organismo, sendo necessário um consumo regular através da dieta para que não haja deficiência.
Neste artigo, vamos explicar para que serve a vitamina B6, quais são as doenças que surgem quando há carência ou excesso e quais são os alimentos ricos em piridoxina.

O que é uma vitamina

Chamamos de vitamina o tipo de nutriente que é necessário em pequenas quantidades para o funcionamento normal do organismo, mas que o nosso corpo é incapaz de produzir sozinho.
Como não temos capacidade de sintetizar as vitaminas que precisamos (exceto alguma quantidade de vitamina D e B7), dependemos da dieta ou de suplementos artificiais para obter os níveis necessários.
É interessante frisar que o que pode ser considerado vitamina para alguns animais pode não ser para outros. Por exemplo, répteis e algumas aves conseguem produzir ácido ascórbico (vitamina C) a partir dos seus próprios rins. Para esses animais, o ácido ascórbico não é considerado uma vitamina, ao contrário dos seres humanos, que precisam constantemente estar consumindo alimentos que contenham vitamina C.
Neste texto, vamos falar exclusivamente da vitamina B6. Se você quiser saber mais sobre as vitaminas em geral, acesse o seguinte artigo: MITOS E VERDADES SOBRE AS VITAMINAS.

Para que serve a vitamina B6

A piridoxina participa de diversos processos biológicos no nosso organismo. Podemos destacar alguns deles:
  • Produção de neurotransmissores essenciais para o funcionamento adequado do cérebro, tais como serotonina, dopamina e noradrenalina.
  • Formação da mielina, uma substância que envolve e protege os neurônios.
  • Participa no metabolismo de proteínas, aminoácidos, carboidratos e lipídios.
  • Atua no sistema imunológico.
  • Atua na produção da hemoglobina, substância essencial para a formação das hemácias (glóbulos vermelhos do sangue).
Até a presente data, já descobrimos pelo menos 100 reações enzimáticas no nosso organsino que precisam da vitamina B6 para funcionar corretamente.

Com o corpo utiliza a vitamina B6

Pelo que foi exposto acima, não é difícil entender por que ter níveis adequados de vitamina B6 é essencial para o bom funcionamento do organismo.
Como a piridoxina é uma vitamina, isso significa que precisamos obtê-la através da dieta ou de suplementos alimentares.
A vitamina B6 que ingerimos é absorvida nos intestinos e posteriormente transportada pela corrente sanguínea para os tecidos e células que vão utilizá-la.Toda a vitamina B6 que o corpo precisa será consumida, o estiver em excesso acaba sendo eliminado na urina pelos rins.
Como a piridoxina faz parte do grupo das chamadas vitaminas hidrossolúveis, o nosso corpo não consegue armazená-la, sendo incapaz de criar reservas que poderiam ser acessadas em períodos de necessidade.
Isso significa duas coisas: (1) não adianta se entupir de piridoxina, pois todo o excesso vai ser eliminado pela urina; (2) o consumo de vitamina B6 deve ser mais ou menos constante durante toda a vida, pois o organismo precisa receber aportes regulares desse nutriente.

Carência de vitamina B6

A carência real e severa de vitamina B6 é algo raro, pois, felizmente, nós não precisamos de quantidades muito elevadas dessa proteína e ela pode ser encontrada em proporções adequadas em uma grande variedade de alimentos, conforme veremos mais à frente.
Por outro lado, uma leve deficiência é relativamente comum e costuma surgir em pacientes com problemas de saúde, como alcoolismo, desnutrição, diabetes, obesidade mórbida, insuficiência renal, artrite reumatoide, doença celíaca ou doença de Crohn. Grávidas e idosos também apresentam maior risco.
Alguns medicamentos também aumentam o risco de deficiência de vitamina B6. Os mais comuns são: isoniazida, penicilamina, pirazinamida, hidralazina, fenitoína, ácido valproico e levodopa-carbidopa.

Sintomas da carência de vitamina B6

Quanto mais grave e prolongada for a carência de piridoxina, mais frequentes e intensos se tornam os sinais e sintomas. Os mais comuns são:

Dose diária recomendada de piridoxina

Como forma de prevenir o surgimento de carência vitamínica, recomendamos que a ingestão diária de vitamina B6 siga as seguintes doses, de acordo com a faixa etária:
  • 0 a 6 meses – 0,1 mg.
  • 7 a 12 meses – 0,3 mg.
  • 1 a 3 anos – 0,5 mg.
  • 4 a 8 anos – 0,6 mg.
  • 9 a 13 anos – 1,0 mg.
  • 14 a 18 anos – 1,3 mg para homens e 1,2 para mulheres.
  • 19 a 50 anos – 1,3 mg.
  • Acima de 50 anos – 1,7 mg para homens e 1,5 para mulheres.
  • Grávidas – 1,9 mg.
  • Lactantes – 2,0 mg.

Alimentos ricos em Vitamina B6

Alcançar as recomendações diárias de vitamina B6 listadas acima não é uma tarefa muito difícil, já que essa vitamina está presente em diversos alimentos que fazem parte da dieta da imensa maioria das pessoas.
Alguns exemplos de alimentos que contêm vitamina B6:
  • Grão de bico*.
  • Bife de fígado*.
  • Frango*.
  • Peru*.
  • Atum*.
  • Salmão*.
  • Carne moída*.
  • Cereal em caixa (fortificado com B6)*.
  • Batata*.
  • Banana*.
  • Camarão.
  • Castanha.
  • Avelã.
  • Melancia.
  • Espinafre.
  • Abacate*.
  • Trigo.
  • Arroz.
  • Cebola.
  • Couve-flor.
  • Cenoura.
* Alimentos ricos em Vitamina B6.

Suplementação de piridoxina

Existe um mito em relação às vitaminas que é muito difícil de desconstruir, que é exatamente o baixo benefício da suplementação artificial de vitaminas para pessoas que já têm uma dieta adequada.
Precisamos ingerir, em geral, pequenas quantidades de vitamina por dia. Uma vez alcançado o valor adequado, o excesso ou fará mal ou será eliminada pela urina.
Uma analogia que pode ser feita é em relação ao óleo do carro. O motor do carro precisa de uma quantidade X de óleo pra funcionar bem. Encher o reservatório com mais óleo que o necessário não fará o motor funcionar melhor e ainda pode causar problemas.
Portanto, a suplementação de piridoxina só está indicada em situações de deficiência ou quando o paciente apresenta risco elevado de carência, como nas situações citadas anteriormente.

Possíveis benefícios da suplementação de Piridoxina

Existem diversos sites pela Internet propagando supostos benefícios da suplementação de vitamina B6 para diversas doenças, que vão desde depressão, até asma, passando pela doença de Alzheimer e até prevenção de alguns tipos de câncer.
Porém, conforme explicado no tópico acima, só existem evidências claras de benefícios da suplementação de piridoxina nos pacientes com doenças relacionadas à deficiência de vitamina B6 ou em pacientes com elevado risco, tais como desnutridos ou aqueles que fazem medicamentos que interferem com os níveis de vitamina B6 no sangue.
Portanto, ao contrário do que se pode encontrar em muitos websites, se o paciente possui níveis normais de vitamina B6, não há evidências científicas claras que nos permitam dizer que a suplementação de piridoxina seja útil nas seguintes situações:
  • Prevenção de câncer.
  • Redução do risco cardiovascular.
  • Autismo.
  • Trombose.
  • Osteoporose.
  • Cólica menstrual.
  • Cálculo renal.
  • Prevenção de infecções.
  • Hipertensão.
  • Fertilidade.
  • Diabetes mellitus.
  • Depressão.
  • Asma.
  • Ansiedade.
  • Alzheimer.
Há duas situações nas quais a suplementação de piridoxina parece ter algum efeito benéfico: tensão pós-menstrual e enjoos da gravidez.
Mesmo assim, não são todos os estudos que conseguiram mostrar benefícios e os que conseguiram não eram estudos clínicos de grande qualidade. Portanto, mesmo nessas duas situações, o grau de certeza em relação ao benefício da suplementação de piridoxina não é muito alto.

Consequências do excesso de vitamina B6

Assim como ocorre com as outras vitaminas hidrossolúveis, para haver toxicidade pela vitamina B6, o paciente precisa consumir grandes quantidades por algum tempo.
As dose máxima diária de piridoxina considerada segura para cada faixa etária é a seguinte:
  • 1 a 3 anos – até 30 mg/dia.
  • 4 a 8 anos – até 40 mg/dia
  • 9 a 13 anos – até 60 mg/dia.
  • 14-18 anos – até 80 mg/dia
  • Acima de 19 anos – até 100 mg/dia.
Portanto, para que um adulto se intoxique, ele precisa consumir mais de 50 vezes a dose diária recomendada. Por isso, não existem relatos de intoxicação de vitamina B6 por consumo excessivo na dieta. É praticamente impossível consumir tanta vitamina B6 só na alimentação.
Por outro lado, a intoxicação via suplementos é possível e até relativamente fácil de ocorrer, já que no mercado podemos encontrar a piridoxina em comprimidos de 25, 40, 50, 100 e até 300 mg.
O consumo de doses altas por vários meses seguidos tem sido associado ao surgimento de sintomas de intoxicação. Os mais comuns são: neuropatia periférica, que provoca dor e perda da sensibilidade nos membros, dificuldade para andar, tonturas, náuseas e vômitos, lesões de pele e sensibilidade à luz.

https://www.mdsaude.com/2017/08/vitamina-b6-piridoxina.html

Dor no Nervo Ciático – Dor Ciática – Causas, Sintomas e Tratamento... A dor ciática surge devido à compressão de uma das raízes nervosas da coluna lombar ou sacra.

A dor no nervo ciático, também chamada de dor ciática, ciatalgia ou, simplesmente, ciática, é uma dor de origem neuropática, que ocorre quando o nervo ciático encontra-se inflamado. O quadro clínico clássico da ciatalgia é de dor lombar com irradiação para uma das pernas, podendo também haver perda da sensibilidade e fraqueza muscular no membro acometido.
Neste artigo vamos os seguintes pontos sobre a dor no nervo ciático:
  • O que é o nervo ciático.
  • Causas da dor ciática.
  • Fatores de risco para ciatalgia.
  • Sintomas da dor ciática.
  • Diagnóstico da ciatalgia.
  • Tratamento da dor do nervo ciático.

O que é o nervo ciático

O nervo ciático, também chamado de nervo isquiático, surge da junção das raízes nervosas que nascem entre a 4ª vértebra lombar e a 3ª vértebra do osso sacro, dando origem a um espesso nervo que desce em direção ao membro inferior.
O nervo ciático é o nervo mais longo do nosso corpo, indo desde a coluna lombar até os pés, passando pelos glúteos, coxas e pernas. Ao longo do seu trajeto, vários ramos são lançados de forma a inervar as estrutura do membros inferiores, como músculos, articulações e pele.
A compressão da raiz de um nervo da coluna vertebral recebe o nome de radiculopatia. A dor ciática ocorre, habitualmente, devido à compressão de uma de suas raízes na coluna lombar ou sacra, sendo considerada, portanto, uma radiculopatia lombar.
Quando um nervo é comprimido, ele fica inchado e inflamado, provocando dor ao longo do seu trajeto e, em alguns casos, perda da força muscular e dormência na área afetada.
Nervo ciático

Causas de dor ciática

A principal causa de compressão do nervo ciático e, consequentemente, de dor ciática é a hérnia de disco na coluna lombar (leia: HÉRNIA DE DISCO | Sintomas e tratamento). Outras causas de compressão do nervo ciático são a espondilolistese (deslizamento de uma vértebra sobre a outra), traumas, tumores ou infecções da coluna lombar, estenose (estreitamento) do canal vertebral onde passa a medula, osteófitos (bico de papagaio) ou artrose da coluna.
Outra causa possível de dor do nervo ciático é uma condição chamada síndrome do músculo piriforme. Este problema surge quando o músculo piriforme, localizado na região glútea, sofre um espasmo e provoca compressão do nervo ciático que passa por baixo do mesmo.

Fatores de risco para dor ciatalgia

Os principais fatores de risco para o desenvolvimento de uma ciatalgia são:
Idade avançada: pacientes idosos têm maior risco de problemas degenerativos da coluna, sendo muito mais comum a ocorrência de hérnias discais, bico de papagaio ou artrose da coluna.
Obesidade: o excesso de peso, principalmente após longos anos, sobrecarrega a coluna lombar, favorecendo a ocorrência de lesões ou alterações anatômicas na mesma (leia: 60 DICAS PARA EMAGRECER – PERDER PESO).
Trabalho pesado: o tipo de ocupação profissional também é um relevante fator de risco para compressão do nervo ciático. Pessoas que trabalham carregando peso, que precisam frequentemente fazer força com as costas ou passam longas horas sentadas ou em pé em uma mesma posição também apresentam uma maior incidência de ciatalgia.
Sedentarismo: O sedentarismo e a falta de exercícios para a musculatura da região lombar também favorecem o aparecimento de problemas na coluna.
Diabetes mellitus: o diabetes é uma doença que por si só provoca lesão dos nervos periféricos, podendo o nervo ciático e seus ramos serem um dos acometidos (leia: O QUE É DIABETES?).
Gravidez: o rápido ganho de peso, as mudanças corporais e a ação hormonal, que provoca relaxamento de tendões e ligamentos, podem causar alterações anatômicas na coluna lombar, favorecendo a compressão do nervo ciático (leia: 20 PRIMEIROS SINTOMAS DE GRAVIDEZ).

Sintomas da dor no nervo ciático

Quando um nervo é comprimido, ele fica inchado e inflamado, provocando dor ao longo do seu trajeto e, em alguns casos, perda da força muscular e da sensibilidade tátil.
No caso específico da compressão do nervo ciático, o sintoma mais comum é uma dor lombar que irradia unilateralmente para o glúteo, descendo pela parte posterior da coxa e lateral da perna e do pé (veja a figura abaixo). É importante ressaltar que existe um nervo ciático em cada membro inferior, mas a ciatalgia costuma acometer apenas um deles, fazendo com que a dor surja somente em uma das pernas.
A intensidade da dor varia muito de caso a caso. Ela pode ser leve, causando apenas desconforto ou queimação ocasional. Em casos mais graves, porém, a dor pode ser excruciante, impedindo o paciente de ficar em pé. Uma sensação de choque elétrico pelo trajeto do nervo também é comum.
Dor no nervo ciático
Irradiação da dor da ciatalgia
A ciatalgia pode piorar após esforço, tosse ou espirro. Ficar sentado por longas horas também costuma agravar os sintomas da dor ciática.
Além da dor, a compressão do nervo ciático também pode provocar dormência, formigamento ou redução da força muscular no membro acometido. Em casos graves, o paciente pode apresentar incontinência urinária ou fecal.

Diagnóstico da ciatalgia

Em muitos casos, a dor ciática é típica e não são necessários exames complexos para o seu diagnóstico. Os exames complementares costumam ser solicitados quando a dor é muito intensa e/ou quando não há melhora após o tratamento inicial.
A eletroneuromiografia e estudos de condução nervosa podem ser úteis quando existe dúvida quanto ao diagnóstico. Já os exames de imagem, como ressonância magnética ou tomografia computadorizada são habitualmente usados para identificar a causa da ciatalgia, principalmente se esta for provocada por lesões, como hérnia de disco, estreitamentos do canal da medula ou tumores.

Tratamento da dor ciática

O tratamento inicial da ciatalgia é com medicamentos para controle da dor, tais como anti-inflamatórios ou analgésicos comuns. Em muitos casos, a dor dura poucos dias e desaparece sem nenhuma conduta mais agressiva.
Em casos de dor intensa, opioides (derivados da morfina) podem ser necessários. O uso de relaxante muscular ou benzodiazepinas, como o diazepam, também ajudam no controle dos sintomas. Como a dor da ciatalgia é uma dor de origem neurológica, medicamentos com antidepressivos ou anticonvulsivantes podem ser usados para controlar dores mais crônicas.
Não é necessário repouso físico. Na verdade, atividades leves, que não sobrecarregam a coluna,  parecem melhorar mais a ciatalgia do que ficar deitado na cama. Natação e fisioterapia costumam ter boa resposta. Em alguns casos, a acupuntura também apresenta bons resultados.
Dependendo da causa ou da gravidade da ciatalgia, a cirurgia para correção da lesão na coluna lombar é a única opção para controle definitivo da dor.

https://www.mdsaude.com/2013/11/nervo-ciatico.html

CAPSULITE ADESIVA – Causas, Sintomas e Tratamento... A capsulite adesiva é uma doença que provoca inflamação, espessamento e rigidez da cápsula articular do ombro.

Capsulite adesiva
A capsulite adesiva, conhecida popularmente como “ombro congelado”, é um quadro que se caracteriza por limitação dos movimentos e intensa dor no ombro, que pode durar de vários meses até anos. A capsulite adesiva é provocada por uma inflamação da cápsula que reveste a articulação do ombro.
O ombro congelado é um problema relativamente comum, acometendo cerca de 3 a 5% da população geral. A doença torna-se mais frequente a partir dos 55 anos, sendo rara antes dos 40 anos de idade. As mulheres são mais acometidas que os homens.
Estudos mostram que o ombro do braço não dominante é ligeiramente mais susceptível à capsulite adesiva; portanto, canhotos têm mais risco de lesão no ombro direito e destros têm mais chances de ter capsulite no ombro esquerdo. Independentemente de qual ombro foi acometido primeiro, em cerca de 10% dos pacientes, o ombro contralateral também torna-se doente dentro de um intervalo de 5 anos.
Neste artigo vamos explicar o que é a capsulite adesiva, como ela surge, quais são os seus sintomas e quais são as formas de tratamento atualmente disponíveis.

O que é a capsulite adesiva

O ombro é uma articulação formada por 3 ossos: o úmero (osso do braço), a clavícula e a espátula (também conhecida como omoplata).
Capsulite adesiva
Acompanhe a ilustração acima para entender melhor a anatomia do ombro. A extremidade superior do úmero, chamada de cabeça do úmero, tem a forma de um globo e se encaixa na cavidade glenoide, que é uma fossa em formato esférico na lateral da escápula. O encaixe de um osso com extremidade convexa em uma fossa côncava cria uma articulação que permite ao osso mover-se de forma multiaxial, nos possibilitando uma grande amplitude de movimentos.
A articulação do ombro é envolvida pela cápsula articular do ombro, que é uma membrana que ao mesmo tempo cria estabilidade e permite a livre movimentação da articulação.
A capsulite adesiva é uma doença que provoca inflamação, fibrose, espessamento e rigidez da cápsula articular, levando à dor e à impotência funcional do ombro. A capsula, que normalmente é um tecido elástico, torna-se rígida e bastante dolorosa.
A capsulite adesiva é uma lesão ombro diferente da bursite e da tendinite do ombro. A bursite do ombro é provocada pela inflamação da bursa sinovial, que é uma espécie de almofada localizada no interior da articulação. Já a tendinite do ombro, como o próprio nome diz, é uma inflamação dos tendões do ombro.

Causas da capsulite adesiva

A capsulite adesiva pode estar relacionada a traumas do ombro ou a doenças sistêmicas, que nada têm a ver a articulação do ombro, tais como diabetes, hipotireoidismo ou doenças cardiovasculares. O ombro congelado também pode ser uma doença idiopática, isto é, um problema que surge sem que possamos identificar uma causa clara.
Não sabemos exatamente qual é o mecanismo fisiopatológico que leva à formação da capsulite adesiva, mas alguns fatores de risco já estão bem estabelecidos. São eles:

Sintomas da capsulite adesiva

Os dois principais sintomas do ombro congelado são a dor e a incapacidade funcional, que é a dificuldade de fazer os movimento habituais do ombro.
A capsulite adesiva habitualmente se desenvolve em três fases:
1- Fase dolorosa ou inflamatória → o quadro de capsulite adesiva inicia-se com progressiva dor ao movimento, que torna-se muito intensa e causa também gradual perda da capacidade de mover o ombro. Os sintomas agravam-se ao longo de semanas e costumam ser piores à noite. Ao contrario da bursite e da tendinite, cuja dor estão associadas a determinados movimentos do ombro, a dor da capsulite surge com qualquer tipo de movimento. Essa fase dura de 2 a 9 meses.
2- Fase de congelamento ou rigidez → Após meses de agonia, a dor começa a reduzir. Por outro lado, a rigidez do ombro torna-se mais intensa, impedindo a sua mobilidade. Nesta fase, que dura de 4 a 12 meses, a incapacidade funcional não está diretamente ligada à dor, o paciente simplesmente não consegue mover o ombro como antigamente porque ele encontra-se rígido ou “congelado”. Levantar o braço, coçar as costas, vestir um casaco ou fechar o sutiã podem se tornar tarefas impossíveis. Nesta fase, a dor só costuma surgir quando o paciente tenta mover o ombro para além do possível.
3- Fase de recuperação ou descongelamento → após mais de 1 ano de dor e incapacidade funcional, o ombro começa a “descongelar”. O paciente vai, aos poucos, retomando a capacidade de mover os ombros de forma ampla e a dor desaparece completamente. Essa fase pode demorar de 5 a 24 meses para ficar completa.
O tempo de evolução da doença varia de caso a caso, mas é muito comum que o ombro congelado atrapalhe as atividades normais da vida do paciente por pelo menos 2 anos. Alguns pacientes podem ficar com sequelas, perdendo de forma definitiva cerca de 15% da mobilidade do ombro.

Diagnóstico da capsulite adesiva

O diagnóstico do ombro congelado é feito habitualmente pelo médico ortopedista, através do exame físico e de exames complementares.
Um teste que pode ser utilizado para distinguir a capsulite adesiva de outras patologias dolorosas do ombro é o teste da injeção. O médico injeta uma quantidade de anestésico na articulação e nota se o paciente consegue voltar a mover o ombro de forma normal. Nos pacientes com ombro congelado, a anestesia alivia a dor, mas não melhora a mobilidade.
A radiografia e a ultrassonografia não são bons exames para o diagnóstico da capsulite adesiva, mas eles ajudam no diagnóstico diferencial, pois podem identificar outras causas de dor no ombro, como bursite e tendinites.
Se após o exame físico, teste da injeção e exames de imagem, o médico ainda estiver na dúvida do diagnóstico, a ressonância magnética é o exame mais adequado para avaliar a saúde da cápsula articular. Nas fases inciais da doença, porém, a ressonância pode não conseguir identificar a capsulite.

Tratamento da capsulite adesiva

Como a capsulite adesiva é uma doença autolimitada, que resolve-se sozinha após vários meses, o tratamento inicialmente visa o controle da dor e o restabelecimento de parte dos movimentos do ombro.
1 – Tratamento da fase dolorosa da capsulite adesiva
A dor pode ser inicialmente tratada com analgésicos comuns, tais como paracetamol ou dipirona (metamizol) (leia: Dipirona | Metamizol → Indicações, Efeitos Colaterais e Perigos). Anti-inflamatórios são medicamentos com boa eficácia, mas o seu uso diário por vários meses seguidos deve ser desencorajado devido aos efeitos colaterais gástricos, renais e cardiovasculares (leia: ANTI-INFLAMATÓRIOS – Ação e Efeitos Colaterais). Em casos de dor de difícil controle, o médico pode prescrever analgésicos mais fortes, à base de derivados da morfina.
A injeção intra-articular de corticoides (infiltração) é uma boa opção para o controle da dor nos primeiros meses, principalmente para aqueles pacientes que não melhoram com o uso de analgésicos ou anti-inflamatórios diariamente. Corticoides por via oral não são indicados pelo elevado risco de efeitos colaterais (leia: PREDNISONA E GLICOCORTICOIDES – Efeitos Colaterais e Indicações).
2 – Tratamento da fase de rigidez da capsulite adesiva
Após o alívio da dor, o médico pode indicar exercícios e fisioterapia para melhorar a mobilidade do ombro afetado. Os exercícios devem ser começados de forma leve, sempre utilizando a dor como parâmetro.
3 – Tratamento cirúrgico da capsulite adesiva
O tratamento cirúrgico, habitualmente feito por artroscopia, costuma ficar restrito apenas aos casos mais graves e que não obtêm resposta satisfatórias com outros tipos de tratamento. O objetivo da cirurgia é “libertar” a cápsula, permitindo que a articulação possa voltar a se mover livremente. Em geral, a cirurgia é feita apenas após 1 ano de doença, numa fase em que há menos inflamação e mais fibrose da cápsula.

https://www.mdsaude.com/2016/04/capsulite-adesiva-ombro-congelado.html

BURSITE NO OMBRO – Causas, Sintomas e Tratamento Dor no ombro e dificuldade para mover o braço são os sintomas mais comuns da bursite subacromial e da síndrome do impacto do ombro.

bursite
A dor no ombro é uma situação tão comum, que até 70% das pessoas terão este tipo de dor ao menos uma vez ao longo das suas vidas. Entre as várias causas possíveis de dor no ombro, a bursite do ombro, também chamada de bursite subacromial ou bursite subdeltoidea, é uma das mais comuns.
Bursite é o nome que damos à inflamação da bursa, também conhecida como bolsa sinovial, que é uma pequena bolsa cheia de líquido que age como um amortecedor, diminuindo o atrito entre músculos, tendões e ossos ao redor das articulações.
Neste artigo vamos explicar o que é a bursite no ombro, quais são as suas causas, sintomas, tratamentos disponíveis e formas de prevenção.

O que é a bursite subacromial

O ombro é uma das articulações mais complexas do nosso esqueleto, sendo formado por três ossos e vários músculos, tendões e ligamentos. O ombro é um articulação que permite a movimentação do braço de forma multiaxial, nos possibilitando uma grande amplitude de movimentos. Pra facilitar o deslizamento, diminuir o atrito e amortecer o impacto entre as estruturas anatômicas do ombro existe a bursa, que é uma pequena bolsa com líquido lubrificante, que no caso específico do ombro localiza-se abaixo do acrômio (extremidade superior do osso escápula) e do músculo deltoide, motivo pelo qual ela é chamada de bursa subacromial subdeltoidea (veja ilustração abaixo).
Bursite no ombro
A bursite do ombro, também conhecida como bursite subacromial, é um problema que surge quando a bursa subacromial subdeltoidea encontra-se inflamada. Frequentemente, a bursite faz parte de um quadro que chamamos de síndrome do impacto do ombro, que é uma patologia do ombro na qual não apenas a bursa encontra-se inflamada, mas também os músculos que passam pelo espaço subacromial apresentam sinais de tendinite (inflamação dos tendões – leia: TENDINITE – Sintomas, Causas e Tratamento).
A síndrome do impacto e a bursite no ombro podem ser provocados por diversos fatores, incluindo traumas ou movimentos excessivos e repetitivos do ombro, como no caso de jogadores de vôlei, nadadores, golfistas, tenistas, ginastas, praticantes de musculação, pintores, jardineiros, carpinteiros, empregados da limpeza ou qualquer outra atividade profissional que exija movimentos frequentes e repetitivos do ombro.
A bursite do ombro também pode ter origem em doenças inflamatórias sistêmicas, tais como a polimialgia reumática, gota, artrite reumatoide, lúpus, atrite psoriásica e esclerodermia.

Sintomas da bursite no ombro

Dor no ombro e dificuldade para mover o braço são os sintomas mais comuns da bursite subacromial e da síndrome do impacto do ombro.
A dor da bursite costuma se localizar na parte superior do braço, ao longo do músculo deltoide, podendo irradiar-se até quase o cotovelo. A dor tende a inicia-se de forma leve, agravando-se ao longo de dias ou semanas.  A dor da bursite ou da síndrome do impacto agrava-se com a movimentação do braço, principalmente quando tentamos levantá-lo acima da linha do ombro. Como o tempo a dor torna-se presente mesmo com o braço em repouso. À noite, a dor pode atrapalhar o sono, principalmente nos momentos em que o paciente dorme com o corpo virado de lado, em cima do ombro afetado.
Com o agravamento da dor, o paciente começa a limitar os seus movimentos com o braço. Coçar as costas, vestir um casaco, fechar o zíper de um vestido, fechar o sutiã ou levantar o braço acima da cabeça tornam-se atitudes muito dolorosas. Como o paciente sente dor, a tendência é que ele progressivamente utilize menos o ombro afetado. Essa restrição dos movimentos do ombro pode levar ao surgimento de um segundo problema, que é a capsulite adesiva, também conhecida como ombro congelado. Explicamos a capsulite adesiva um artigo à parte: CAPSULITE ADESIVA – Ombro Congelado.
Se a bursite no ombro não for tratada nas suas fases iniciais, a inflamação tende a ser tornar crônica e de mais difícil resolução. A prolongada inflamação da bursa pode levar à deposição de cálcio na mesma, o que provoca calcificação, enrijecimento e perda da sua capacidade de proteger a articulação.

Diagnóstico da bursite subacromial

O diagnóstico da bursite no ombro e da síndrome do impacto é habitualmente feito após avaliação conjunta da história clínica, do exame físico e de exames de imagens.
Durante o exame físico, o ortopedista fará alguns testes, movendo o seu ombro de diversas formas para tentar identificar quais são os movimentos que causam mais dor. Um outro teste habitualmente utilizado é a injeção de anestésico intra-articular. No caso da bursite ou da síndrome do impacto do ombro, a aplicação de anestésicos alivia a dor e permite que o paciente volte a ter a amplitude normal de movimentos. Já na capsulite adesiva,  o alívio da dor não vem acompanhada do retorno dos movimentos.
A radiografia do ombro não faz o diagnóstico da bursite, mas ajuda a descartar outras possíveis causas de dor no ombro, como lesões nos ossos ou osteoartrose (leia: ARTROSE – Sintomas, Causas e Tratamento).
Se após a completa avaliação clínica o ortopedista ainda tiver dúvidas do diagnóstico, o melhor exame de imagem para avaliar a bursa e os tendões é a ressonância magnética do ombro.

Tratamento da bursite subacromial

O tratamento inicial da bursite subacromial consiste em repouso, aplicação de gelo local e controle da dor com analgésicos e anti-inflamatórios.
Se o tratamento inicial não apresentar resultados satisfatórios dentro de 72 horas, ou se o paciente tiver contraindicações ao uso de anti-inflamatórios, o médico pode optar pela aplicação de uma injeção intra-articular de corticosteroides. Em muitos casos de bursite do ombro, uma simples injeção intra-articular leva à cura do quadro.
Após o controle da dor, a fisioterapia pode ser indicada, para que o paciente restabeleça sua força muscular e amplitude dos movimento do ombro.
Nos raros casos de bursite crônica que não respondem a nenhum tipo de tratamento, a cirurgia para remoção da bursa pode ser a solução.

Prevenção da bursite no ombro

Após o efetivo tratamento da bursite no ombro, algumas medidas podem ser implementadas para diminuir o risco de recorrência:
– Atividade física orientada por profissional para fortalecimento da musculatura.
– Alongamentos com orientação profissional.
– Evitar tarefas que exijam movimentos repetitivos do ombro durante muito tempo.
– Se não for possível evitar tarefas que sobrecarreguem os ombros, procure ao menos fazer algumas pausas durante o dia.
– Evitar atividades que causem dor no ombro.
– Usar as duas mãos para segurar ferramentas ou objetos pesados.
– Não ficar com o ombro imobilizado por longos períodos de tempo.
– Procurar manter um boa postura ao longo do dia, principalmente durante o trabalho.
– Iniciar repouso e tratamento assim que a dor no ombro surgir.

https://www.mdsaude.com/2016/04/bursite-no-ombro.html

ESTALAR OS DEDOS FAZ MAL? Nos últimos anos, a antiga dúvida sobre a associação entre o estalar dos dedos e um maior risco de artrite nas mãos foi finalmente elucidada.

O hábito de estalar os dedos ou outras articulações do corpo é muito comum na população. Alguns estudos reportam que até 45% das pessoas costumam estalar os dedos das mãos de forma voluntária e frequente.
Para muitos, o ato de estalar as articulações não é apenas um hábito, mas sim uma necessidade, que causa sensação de prazer e relaxamento da articulação. É comum ouvir o paciente dizer que ele precisa estalar para “soltar” a articulação.
Em contrapartida, todo mundo já ouviu a mãe dizer que estalar os dedos pode provocar artrite e deixar a mão deformada.
Durante anos o estalar das articulações foi um mistério. Não sabíamos nem por que as articulações estalavam nem se isso poderia trazer algum mal a longo prazo. Felizmente, esse mistério foi recentemente elucidado através de estudos científicos.
Neste artigo de hoje, vamos explicar por que as articulações estalam e quais são as consequências clínicas cientificamente comprovadas desse hábito.

POR QUE AS ARTICULAÇÕES ESTALAM?

Para entender por que uma articulação estala, é preciso antes descrever rapidamente a sua anatomia.
O que é uma articulação?
Chamamos de articulação a região onde há conexão entre dois ou mais ossos distintos. Por exemplo, o joelho é uma articulação que liga os ossos fêmur e tíbia (conecta a coxa à perna), o cotovelo é uma articulação que liga o osso úmero aos ossos ulna e rádio (conecta o braço ao antebraço) e o tornozelo é uma articulação que liga os ossos tíbia, fíbula e tálus (conecta a perna ao pé).
Articulações da mão
Articulações da mão
As articulações móveis possuem cartilagem e uma bolsa cheia de um líquido viscoso, chamado líquido sinovial. Quando há movimento na articulação, graças ao líquido sinovial e à cartilagem, os ossos deslizam entre si com mínimo atrito.
As articulações mais fáceis de serem estaladas são as dos dedos das mãos, que ligam os ossos entre as falanges e entre as falanges e o osso metacarpo, conforme destacado em azul na ilustração acima.
Como surge o estalo dos dedos?
Durante décadas, duas teorias semelhantes sobre a origem dos estalos ganharam mais atenção. A mais antiga, criada na década de 1940, sugeria que o estalo era provocado pela formação de uma pequena bolha de gás dentro das articulações.
Em 1970, essa a teoria foi ligeiramente modificada. Segundo uma segunda explicação, a bolha de gás seria realmente formada dentro das articulações, mas ela estouraria imediatamente. O estalo seria resultado deste estouro.
Em 2015, o mistério foi finalmente resolvido. O professor Gregory N. Kawchuk e sua equipe da Universidade de Alberta, no Canadá, criaram um mecanismo no qual eles conseguiam puxar os dedos da mão de um voluntário enquanto as articulações eram filmadas por ressonância magnética nuclear (leia: O QUE É A RESSONÂNCIA MAGNÉTICA).
As imagens obtidas podem ser vistas abaixo.
Dedo estalando
Estalar os dedos
Em todos os dedos estalados sob a observação da ressonância magnética, o som do estalo surgia exatamente no momento em que uma pequena bolha de gás surgia dentro do líquido sinovial, comprovando que a primeira teoria, criada na década de 1940, estava correta.

ESTALAR OS DEDOS FAZ MAL?

Conforme foi comprovado no estudo do professor Kawchuk, que ficou conhecido como estudo “puxe o meu dedo”, o barulho do estalar dos dedos não ocorre por nenhum evento que atinja os componentes sólidos das articulações. Não há um mecanismo que provoque estresse ou lesão diretamente na articulação, são apenas bolhas de gás se formando no interior.
Mas o estudo do professor Kawchuk não é o único que sugere que estalar os dedos não seja algo que faça mal.
Um estudo publicado em 2011 examinou as radiografias das mãos de 215 pessoas entre 50 a 89 anos e comparou as articulações daqueles que frequentemente estalavam os dedos com as articulações das pessoas que não tinham o hábito de estalar os dedos.
O estudo concluiu que não havia diferenças relevantes nas radiografias, e o risco de desenvolver artrite ou artrose era exatamente igual para que estalava ou não os dedos, não importando o número de anos ou a frequência com que a pessoa estalava os dedos (leia: DIFERENÇAS ENTRE ARTRITE E ARTROSE).
Em Fevereiro de 2017 foi publicado um estudo com 35 indivíduos de 19 a 27 anos que tinham o hábito de estalar os dedos mais de 5 vezes por dia. A força da mão desses indivíduos foi comparada com as de um grupo controle, formado por pessoas que não tinham o hábito de estalar os dedos. O resultado foi exatamente igual para os dois grupos, mostrando que estalar os dedos não provoca redução de força nas mãos, principalmente nas situações em que é preciso uma pega ou um aperto forte.
Um caso que ficou famoso foi o do médico Donald Unger, que durante 60 anos estalou diariamente os dedos da sua mão esquerda, mas não os da direita. O seu objetivo era exatamente comparar os resultados em ambas as mãos pra saber se o hábito de estalar os dedos traria algum mal a longo prazo. Ao final de 6 décadas, nenhum sinal de artrite ou outras doenças osteoarticulares se formaram em ambas as mãos.
Esse “estudo” acabou rendendo ao Dr. Unger o prêmio IgNobel, que é uma paródia do prêmio Nobel, concedido aos estudos mais estranhos de cada ano.
É preciso destacar, porém, que em determinadas situações, o ato de estalar os dedos pode provocar traumas. Quando uma pessoa estala o dedo, a articulação entra em um período de refratariedade, na qual são necessários cerca de 20 minutos para que ela possa ser estalada de novo. Imagina-se que esse é o tempo necessário para que os gases presentes no líquido sinovial voltem a ficar diluídos, de forma que uma nova bolha possa ser formada.
Se o indivíduo ficar forçando a articulação numa tentativa de estalar o dedo durante o período refratário, ele pode, sim, provocar lesões da articulação. Outra possível causa de lesão é quando há um uso desmedido de força para estalar o dedo.
O ato de estalar o dedo deve trazer alívio e uma sensação de aumento de amplitude dos movimentos da articulação. Se na hora de estalar dos dedos você sente forte dor, ou se articulação fica doendo por bastante tempo, isso pode ser sinal de uma lesão.

ESTALAR AS ARTICULAÇÕES FAZ MAL?

As imensa maioria dos estudos sobre estalar articulações foi feita com dedos das mãos. Faz sentido imaginar que se o estalar dos dedos não causa lesão das articulações das mãos, o mesmo aconteceria com quem estala o pescoço, as costas, os tornozelos, os cotovelos, etc.
Infelizmente, isso é apenas uma extrapolação dos resultados das articulações dos dedos para outras articulações. Podemos dizer que PROVAVELMENTE estalar as articulações não faz mal, mas uma resposta 100% segura só será possível quando existirem ensaios clínicos controlados direcionados para cada articulação.
https://www.mdsaude.com/2017/06/estalar-os-dedos-faz-mal.html