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quinta-feira, 9 de junho de 2016

NAFTA: Bloco Econômico da América do Norte.

NAFTA: Bloco Econômico da América do Norte
O que é nafta? O NAFTA é um bloco econômico formado pelos países que compõem a América do Norte: Estados Unidos, México e Canadá – além do Chile, da América do Sul, apenas como membro associado. Sua sigla faz referência aos termos do acordo: North American Free Trade Agreement(Acordo Norte-Americano de Livre Comércio). Assim, como o próprio nome indica, o bloco se limita à realização de uma área de livre-comércio, ou seja, com a redução de impostos sobre produtos comercializados entre os países-membros. Não há, portanto, nenhum tipo de permissão com relação ao deslocamento de pessoas, como ocorre em um mercado comum, ou no sentido de se adotar uma Tarifa Externa Comum, como ocorre em uniões aduaneiras.
O bloco econômico da América do Norte foi fundado em 1º de janeiro de 1994, após uma série de acordos que começaram a ser costurados ainda na década de 1980, quando os Estados Unidos perceberam, pelo exemplo do então Mercado Comum Europeu (hoje, União Europeia) que a organização do comércio internacional em acordos regionais era mais vantajoso ao capitalismo mundial do que se pensava. Além disso, os norte-americanos viram uma perspectiva de ampliar a suas relações econômicas com relação ao México, no sentido de direcionar a instalação de fábricas e empresas multinacionais do país em seu território, de forma a aproveitar a mão de obra barata e os menores impostos.
Uma outra perspectiva com a fundação do bloco econômico NAFTA, na época, era a possível estruturação proposta pelos Estados Unidos de um acordo de livre comércio que se estendesse por todo o continente americano, a ALCA (Área de Livre Comércio das Américas). No entanto, com o fortalecimento da esquerda na América do Sul e as fortes críticas internas a essa proposta nos EUA, tal ideia vem caindo, cada vez mais, no esquecimento.
Mapa de organizações de integração
Mapa de organizações de integração
É preciso salientar, no entanto, que quem propôs e insistiu, inicialmente, na ideia do NAFTA foram os mexicanos, que objetivavam ampliar suas exportações e desenvolver-se industrialmente. Por parte dos EUA e do Canadá, o principal interesse com relação a esse bloco foi o diminuir o intenso fluxo migratório da população do México em direção ao norte, o que ocorre pela busca de empregos e melhores condições de vida. O dois países entendem que deslocar parte da produção industrial e ampliar os investimentos no vizinho do sul é uma forma de fazer com que essas migrações diminuam, o que ainda, de fato, não gerou os resultados esperados. Não obstante, os estadunidenses chegaram a construir um muro de 3140 km na fronteira entre os dois países, com segurança reforçada nos trechos considerados mais problemáticos.
Assim, a principal característica expressa no âmbito do NAFTA é a grande disparidade entre os seus países. De um lado, temos duas economias desenvolvidas (Canadá e EUA) tanto no aspecto econômico quanto no âmbito do desenvolvimento humano e uma economia considerada emergente (México), com grande dependência financeira e um limitado avanço no âmbito social. Assim, enquanto que a relação entre EUA e México se restringe campo comercial, não se pode dizer o mesmo com relação ao Canadá, que é considerado quase que uma “extensão territorial” dos Estados Unidos, haja vista a ampla integração política e diplomática entre os dois países.
Os efeitos do NAFTA se manifestaram de diferentes formas entre os seus países membros. As importações e exportações entre eles se intensificaram de forma rápida e intensa, sobretudo dos mexicanos em relação aos dois outros países. Tal fato não se tornou ainda maior por causa da ampla concorrência dos produtos chineses no mercado norte-americano, o que demonstra o pouco empenho dos Estados Unidos em manter um maior compromisso com o bloco econômico em questão.
Uma consequência considerada negativa da criação do NAFTA foi a concorrência externa, muitas vezes tida como desleal, aos produtos produzidos internamente em cada um dos três países. Com a redução das tarifas alfandegárias, muitas vezes os produtos importados passam a ter um preço igual ou menor ao que se produz nacionalmente, gerando protestos por parte de cooperativas e sindicados. No México, é comum o exemplo da questão do milho que teve a sua área de cultivo reduzida, uma vez que o produto é amplamente cultivado nos Estados Unidos com maior tecnologia, produtividade e menores gastos, ao passo que no território mexicano ele é produzido por pequenas comunidades que o fazem a custos mais elevados e tecnologia menos avançada.
Dentro dos Estados Unidos e do Canadá, as críticas ao NAFTA são comuns com relação ao que se chama por “exportação das vagas de empregos”. Com o acordo, muitas empresas do país migraram suas fábricas – chamadas de “maquiladoras” pelo fato de apenas montarem os seu produtos industrializados com peças advindas de várias partes do mundo – para o território mexicano, sobretudo em cidades de fronteira, a exemplo do município de Tijuana e muitos outros. Assim, essas empresas obtém menores gastos com a mão de obra barata mexicana, ao passo que menos empregos são gerados nos territórios estadunidense e canadense.
Embora muitas desvantagens e críticas venham sendo apontadas ao bloco econômico, é inegável o fato de que a integração comercial entre os seus membros se potencializou, gerando uma maior dinâmica financeira e produtiva. Da mesma forma, muitos consideram o NAFTA um dos grandes responsáveis pelo crescimento econômico do México ao longo das últimas décadas, tornando-o um dos principais países dentre os chamados “emergentes”, ao lado de Brasil, China, Índia, Turquia e outros.
Por Rodolfo F. Alves Pena
Mestre em Geografia