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domingo, 8 de novembro de 2015

Lula: "Não vou mais admitir que corrupto me chame de corrupto"

Irritado com a escalada de denúncias na sua direção, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu, nesta quinta-feira, 5, que pode ser candidato à sucessão da presidente Dilma Rousseff, em 2018, para defender o projeto político do PT. Lula afirmou também, com a voz embargada, que não vai mais ouvir calado ser chamado de corrupto "por quem é corrupto" e, no seu diagnóstico, só quer desgastá-lo para impedir sua volta ao poder.


"Agora vou dizer uma coisa para vocês: nem que eu tiver apenas um minuto de vida em 2018, se tiver concorrendo contra nós um projeto conservador que tenha como objetivo acabar com as coisas que fizemos nesse País, podem estar certos de que eu estarei na campanha ou como cabo eleitoral ou como candidato", afirmou Lula, no encerramento da 5.ª Conferência do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), em Brasília.


Interrompido várias vezes por gritos de "1,2,3, é Lula outra vez", o ex-presidente convocou a plateia, formada por representantes de movimentos sociais, a defender sua sucessora e disse que os adversários não querem respeitar o resultado da eleição. "Nós não vamos admitir o impeachment de Dilma. A hora não é de ficar de cabeça baixa", insistiu.


Sob aplausos, Lula deixou o discurso preparado por seus assessores de lado e falou de improviso. "Eu não vou mais admitir que corrupto me chame de corrupto porque todos esses que ficam nos acusando, se colocarem um dentro do outro, não dá 10% da minha honestidade", gritou ele.


Lula assumiu o tom de campanha quando criticava os adversários do PSDB que, na sua avaliação, acreditam que tanto ele como Dilma não se levantam mais. "Eles estão dando de barato que a Dilma acabou e dizem 'agora vamos acabar com o Lula porque esse tal de Lula pode voltar em 2018'", afirmou. Foi neste momento que disse estar perdendo a paciência para ouvir ataques sem reagir.


"Eu tive muita paciência para construir a CUT, para fundar o PT, para perder três eleições e para governar. Duvido que tenha tido governo mais tolerante do que eu fui. Faltam três anos para a eleição. Eu não 'estou' candidato e Deus queira que possam aparecer quatro, cinco ou seis candidatos no nosso meio", comentou. Garantiu, porém, que não terá dúvidas em entrar na corrida para enfrentar o que chamou de "maré conservadora".


Esta foi, até agora, a manifestação mais enfática do ex-presidente admitindo a intenção de retornar ao Palácio do Planalto. Embora nos bastidores Lula se movimente para isso, há dúvidas no governo e no PT se ele realmente terá condições de ser candidato, após a avalanche de acusações que o atingem e envolvem até sua família. Além disso, seus amigos observam que é preciso aguardar para ver se a sangria de Dilma será estancada.


Lula cobrou mais empenho dos militantes para ajudar a presidente a sair da crise e lembrou que há um acampamento diante do Congresso pedindo o impeachment. "Temos de dizer para essa gente: eles têm direito de ter presidente da República, mas aprendam a exercitar a democracia e ganhem as eleições", afirmou, numa referência ao PSDB.


Para o ex-presidente, a dificuldade enfrentada por Dilma não é só dela, mas "do Brasil e do mundo" e o que está em jogo é uma disputa de projetos. "Então, temos de ajudar", reiterou. "Vocês sabem que os ataques que estamos sofrendo não são à toa. O que eles querem derrotar é um projeto de sucesso", disse Lula, ressuscitando a disputa do "nós contra eles" entre o PT e o PSDB.


Orçamento
O ex-presidente criticou o relator do projeto de Orçamento, deputado Ricardo Barros (PP-PR), que propôs o corte de R$ 10 bilhões do Bolsa Família. "Fiquei pensando o que pensa uma pessoa que não tem noção do que significa pouco mais de R$ 100 nas mãos das famílias mais pobres desse país", protestou. "Não seria mais fácil, ao invés de cortar dos pobres, cobrar dos ricos?"


Ao citar os adversários, Lula disse que sempre foi acusado de gastar muito dinheiro com programas sociais, em vez de construir pontes e estradas. "Acontece que o povo não come cimento. O povo come feijão", esbravejou. Depois, afirmou que pobre só é lembrado por político durante as campanhas. "Na época da eleição, se pudessem colocar pobre na Bolsa de Valores seria a coisa mais rentável do planeta Terra. Iria crescer mais do que ações da Petrobrás", ironizou.


Na plateia, manifestantes ergueram uma faixa com os dizeres "Manter Bolsa Família. Uma questão de honra, Dilma". No último dia 3, ao abrir a 5.ª Conferência do Consea, a presidente garantiu que não haverá redução no programa e desautorizou a ideia do relator do projeto de Orçamento. "Nenhum passo atrás será dado nessa trajetória", prometeu ela.


Uma semana após admitir que Dilma ganhou a eleição com um discurso contra o ajuste fiscal e adotou receituário diferente do prometido, Lula voltou a Brasília para novas costuras políticas. Antes de se encontrar com representantes da agricultura familiar, Lula se reuniu com deputados do PT e nesta sexta-feira ele deverá conversar novamente com Dilma. O ex-presidente está empenhado em impedir que a ameaça do impeachment prospere, em fazer o Congresso aprovar as principais medidas do ajuste fiscal e em fazer alianças para impedir que petistas sejam convocados nas CPIs do Congresso.


Nos últimos dias, Lula e o governo orientaram o PT a não provocar o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Trata-se, na prática, de um acordo de não agressão para evitar que Cunha - mesmo fragilizado após suspeitas de manter contas secretas na Suíça, com dinheiro desviado da Petrobrás - crie problemas em votações de interesse do Planalto e aceite dar sequência à representação dos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr. e Janaina Paschoal, pedindo a saída de Dilma.


Fonte: Estadão