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domingo, 20 de setembro de 2015

SETEMBRO: MÊS DA BÍBLIA


SETEMBRO: MÊS DA BÍBLIA

SETEMBRO: mês em que a Igreja convida os fiéis para que tenham uma atenção especial para refletir e colocar em prática os ensinamentos bíblicos, e assim, impulsionados, possa este gesto fazer parte de sua vida sempre.


Todos os anos a CNBB nos apresenta um tema e um texto bíblico para ser aprofundado. Em 2015 somos exortados a refletirmos


Tema: DISCÍPULOS MISSIONÁRIOS A PARTIR DO EVANGELHO DE JOÃO


Lema: PERMANECEI NO MEU AMOR, PARA DAR MUITOS FRUTOS (CF. JO 15,8-9)
Este subsídio tem a finalidade de aprofundar o conhecimento de Jesus Cristo através do Evangelho segundo João, escolhido para o estudo do Mês da Bíblia de 2015. Está dividido em quatro encontros e uma celebração final.
O primeiro encontro trata sobre o relato do encontro de Jesus com os primeiros discípulos, presente em Jo 1,35-51, destacando a importância do chamado e do testemunho daqueles que já aderiram a Jesus.
O tema das mulheres presentes no quarto Evangelho será abordado no segundo encontro. Além de apresentar o papel significativo da presença feminina no Evangelho joanino, aprofundará o encontro da samaritana com Jesus, no poço de Jacó, enfatizando o aspecto missionário, que nasce da experiência de Jesus como Messias.
Ser discípulo missionário não é trilhar um caminho sem obstáculos; este aspecto será aprofundado no terceiro encontro, no qual será refletido sobre as dificuldades e os conflitos encontrados para aderir e seguir Jesus na narrativa da cura do cego de nascença, em Jo 9,1-41.


O último encontro trata da finalidade de todo discipulado missionário: pôr-se a serviço dos irmãos e irmãs, seguindo o exemplo que o próprio Jesus nos deixou com a narrativa do lava-pés de Jo 13,1-17.
Na celebração final se percorrerá o caminho realizado durante os encontros e celebraremos com Jo 15,1-9 o texto que serviu de inspiração para o lema deste ano: "Permanecei no meu amor, para dar muitos frutos".

O EVANGELHO ESCRITO POR JOÃO

“A flor de toda a Sagrada Escritura é o evangelho,
e a flor do evangelho é o evangelho que nos foi transmitido por João,
cujo sentido profundo e oculto
ninguém conseguirá compreender em toda a plenitude”.
“Ninguém pode captar o sentido do evangelho de João
se não reclina a cabeça sobre o peito de Jesus
e não recebe de Jesus Maria por Mãe”.
(Orígenes)


I. OBSERVAÇÕES PRELIMINARES 
O Quarto Evangelho é um evangelho diferente dos sinóticos. Será mesmo um evangelho ou antes uma meditação especulativa, meio hermética e até gnóstica, sobre o Cristo? Será histórico, o chamado Evangelho segundo João?
Trata-se de uma obra diversa dos demais evangelhos: ignora vocábulos caros aos sinóticos (por exemplo: não há as palavras apóstolos, evangelho, batismo, publicano, anunciar, conversão, escriba, etc). O texto contém extravagâncias: duas conclusões (cf. 20,30s e 21,24s); em 14,31 Jesus levanta-se da ceia... e depois o seu discurso continua; o modo de falar de Jesus é totalmente diverso dos sinóticos: longos discursos, numa forma monótona, repetitiva e ondulada; os temas tratados por Jesus são bem diversos: o Senhor não prega o Reino, mas a si próprio (basta pensar na abundância da expressão “EU SOU”); faltam também alguns outros temas importantes, recorrentes nos sinóticos: a infância de Jesus, as tentações, o sermão da montanha, o ensino em parábolas, as expulsões dos demônios, a transfiguração, a instituição da Eucaristia... Por outro lado, apresenta material que não consta nos sinóticos: as alegorias do Bom Pastor, da porta, do grão de trigo e da videira, o discurso sobre o pão da vida, o da ceia, a oração sacerdotal, os episódios das bodas de Cana, da ressurreição de Lázaro e do lava-pés, os diálogos com Nicodemos e com a samaritana... Enquanto nos sinóticos o ministério de Jesus dá-se quase por inteiro na Galiléia, a maior parte do Quarto Evangelho passa-se na Judéia, com poucas cenas na Galiléia. Os discursos de Jesus são numerosos e longos, ao passo que são poucos os episódios narrativos. 
No entanto, trata-se de um Evangelho (= Boa Nova): é um anúncio das palavras e obras de Jesus como mensagem salvífica a ser aceita na fé. Como os sinóticos, trata-se de um anúncio de Jesus como Messias e Filho de Deus (cf. 20,31). O Quarto Evangelho não pretende completar os sinóticos; é sim uma tradição independente, que apresenta de um modo todo próprio o mistério de Cristo! 
II. AUTOR, DATA, DESTINATÁRIOS, HISTÓRIA LITERÁRIA
Muito se estuda e muito se diz sobre o Quarto Evangelho. Segundo a tradição, seu autor é João, filho Zebedeu e irmão de Tiago Maior, um dos Doze. Seria ele o “Discípulo Amado” ou “o outro discípulo”, que aparece ao lado de Pedro. Um problema é explicar como esse João, um simples pescador galileu era “conhecido do Sumo Sacerdote” (cf. 18,15).
Segundo alguns bons estudiosos, poderíamos, hoje, pensar a formação do evangelho do seguinte modo:
(1) O Discípulo Amado é realmente João, testemunha ocular da história de Jesus e pregador do Evangelho. Com Jesus manteve diálogo íntimo e profundo e ocupou posição de prestígio, junto com Pedro: foi ele quem “viu e acreditou” (cf. 20,28): o “ver” é histórico-testemunhal, o “acreditar” é a leitura fiel do fato, a interpretação religiosa do acontecimento. Ao que tudo indica, este discípulo fora seguidor de João Batista e depois passou para Jesus. São dele as afirmações sobre o Batista: “ele não era a luz, mas viera para dar testemunho da luz” (1,8), não era o Cristo, nem o Esposo, mas apenas o amigo do Esposo (cf. 3,28-30), não realizou sinal algum, mas tudo que disse sobre Jesus era verdade (cf. 10,41). Certamente João não escreveu nada – o texto do Quarto Evangelho é de um grego bom demais para um pescador da Galiléia -, mas João é o fundamento da tradição escrita que viria depois dele. Ele realmente é o pai da tradição joanina!
(2) Do Discípulo Amado surgiu toda uma tradição. A história de Jesus de Nazaré é vista como símbolo e revelação de uma realidade superior que somente pode ser desvendada através da fé. Neste processo inserem-se os sete milagres de Jesus, chamados de sinais, que revelam juntamente com os discursos, quem é Jesus (mais uma vez, observe-se a importância dos “Eu Sou”). Também a paixão-morte-ressurreição são apresentadas de um modo novo. Por seu fundamento no apóstolo João, esta tradição tem profundo conhecimento da topografia da Palestina e da liturgia do Templo. Podemos afirmar que esta tradição já aparece difundida na Palestina antes do ano 70, em língua aramaica (pensem-se nos termos hebraicos e aramaicos usados por João).
(3) A tradição foi posteriormente cristalizada na primeira edição do evangelho, escrito em grego, com a conclusão em Jo 20,30-31. O evangelista (isto é, quem redigiu a tradição deixada pelo apóstolo João) é, portanto, este teólogo que vive no mundo grego, na Ásia Menor, e dirige-se aos judeus-cristãos de cultura grega que aí viviam. Os símbolos de João são bíblicos, há inúmeras referências às festas judaicas e alusões às Escrituras: o dualismo moral tão caro a Qumran, o Verbo que arma a tenda (ekénosen = skn = shekinhah). Há também várias alusões à excomunhão que os cristãos sofreram por parte da sinagoga lá pelo ano 90. Aos judeus-cristãos, refutados pelos judeus, o evangelista convida a permanecer na palavra de Jesus e no seu amor (cf. 8,31; 15,7.9)... “para que continueis a acreditar que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus... e tenhais a vida em seu nome” (20,31).
(4) Finalmente, numa segunda edição, além de alguns retoques internos, acrescentou-se o capítulo 21, com nova conclusão geral, exaltando o Discípulo Amado; tanto ele quanto Pedro morrerão; ficará a Igreja com as duas testemunhas: a tradição joanina e o ministério de Pedro (cf. Jo 21,22s; 21,19; 21,15ss). Assim, com toda certeza, o Evangelho de João encontrou sua redação final já entre os anos 90 e 100 de nossa era. 
III. O JESUS DE JOÃO 
Para João, Cristo é o Enviado, revelador do Pai. É o Filho de Deus, Senhor, Salvador, pão da vida, luz do mundo, bom pastor, caminho, verdade e vida, ressurreição, verdadeira videira e Verbo encarnado.
João tem um núcleo histórico e apresenta o Jesus histórico, mas seu evangelho não é primariamente uma narração historicamente fidedigna no sentido atual nem é uma crônica de fatos ligados a Jesus de Nazaré. Trata-se, antes, do sentido soteriológico (= salvífico) de sua vida, morte e ressurreição e, mais ainda, de sua Pessoa. O evangelho de João não dissolve a história, mas nos fatos históricos descobre uma significação profunda, que aponta para a identidade e am issão de Jesus, o filho de Deus, revelador único e absoluto do Pai: seu fundamento é a consciência da importância histórica, concreta de Jesus: “O Verbo se fez carne e armou tenda entre nós!” (1,14).
No entanto, a linguagem dos discursos de Jesus não é de Jesus, mas do evangelista (basta comparar com as epístolas e as palavras do próprio Batista – cf. Jo 3,27-36)! Isso não quer dizer que o evangelista tenha imposto uma teologia sua a Jesus, tenha inventado um Jesus: em João, Jesus revela-se a si mesmo como o Salvador e caminho para o Pai, já que dele vem. A intenção do evangelista é explicitar a revelação acontecida na pessoa e na história de Jesus de Nazaré; com sua linguagem própria, ele transmite o que o Senhor revelou e o que a Comunidade eclesial experimentou na fé (cf. 3,11; 21,24). João, numa teologia bem desenvolvida, contempla Jesus do alto da sua glória de ressuscitado. A gente somente compreende bem o Jesus de João e seus gestos e palavras, quando o contempla como o Glorioso-Ressuscitado! Na pobreza dos dias terrenos de Jesus, João deseja mostrar a glória do Filho de Deus. 
IV. UMA PROPOSTA DE LEITURA DE JOÃO
Um esquema do Evangelho de João é muitíssimo discutido. Sendo assim, apresentaremos apenas algumas pistas para a leitura. 
A. PRÓLOGO (1,1-18)
Trata-se de um hino oriundo dos círculos joaninos que fala da revelação de Deus, de como ele se explicou para nós: através do seu Verbo existente desde o princípio e, depois, feito carne.
Esquema:
A. O Verbo voltado para Deus (vv. 1-2) A’. O Filho no seio do Pai (v. 18)
B. Papel na criação (v. 3) B’. Papel na recriação (v. 17)
C. Dádiva à humanidade (vv. 4-5) C’. Dádiva à humanidade (v. 16)
D. Testemunho de João (vv. 6-8) D’. Testemunho de João (v. 15)
E. O Verbo vem ao mundo (vv. 9-11) E’. O Verbo se faz carne (v. 14)
F. Por intermédio do Verbo nos tornamos filhos de Deus (vv. 12-13)
B. O LIVRO DOS SINAIS (1,19 – 12,50)
Apresenta o ministério de Jesus: por sinais e palavras ele se mostra ao seu povo como revelação do Pai. O resultado é a rejeição.
a) A semana inaugural: Primeiro dia (vv. 19-28), segundo dia (vv. 29-34), terceiro dia (vv. 35-39), quarto dia (vv. 40-42), quinto dia (vv. 43-51), sétimo dia (vv. 2,1-11): “No terceiro dia houve núpcias e ele manifestou a sua glória e seus discípulos creram nele”. 
b) Os sete sinais:
O primeiro sinal: a água transformada em vinho (2,1-11): o vinho de Jesus é o último a ser servido, é o melhor e mais abundante: o Cristo fulgura no seu sinal, que produz a fé dos discípulos.
A isso seguem-se três narrativas com a mesma lógica de recriação e superação: a purificação do Templo (Jesus é o novo templo); o encontro com Nicodemos, judeu que estuda Jesus e vem procurá-lo nas trevas (é necessário nascer do Alto, pela água e o Espírito) e o encontro com a Samaritana (Jesus é o Salvador do mundo que dá á água da vida; por ele é possível adorar o Pai em espírito e verdade, superando Jerusalém e o Monte Garizim).
O segundo sinal: a cura do funcionário real em Caná (4,43-54), encerra esta seção. ”Se não virdes sinais não acreditareis...” – Jesus relativiza os sinais: são importantes se levam ao entendimento. Observe-se que o funcionário é um pagão (o centurião?), como os samaritanos que creram. Este sinal, onde Jesus age somente pela sua palavra, já prepara o próximo... 
Dos capítulos 5 – 10 são as festas judaicas que servem de marcos para a revelação de Jesus.
O terceiro sinal: a cura do paralítico de Betesda, numa Festa (segundo muitos Pentecostes, festa dos sete sábados): ele faz o que somente Deus pode fazer no sábado; ele tem o poder de julgar.
O quarto sinal: a multiplicação dos pães, numa festa da Páscoa: Jesus é o novo Pão, o novo ázimo: pão de sua Palavra, de sua Carne e seu Sangue. (Na purificação do Templo Jesus já havia expulsado as ovelhas e os bois: ele é o novo Cordeiro!).
O quinto sinal: Jesus caminha à noite sobre as águas: evocação do Êxodo, juntamente com a multiplicação dos pães. Ele se revela como o EU SOU!
O sexto sinal: a cura do cego de nascença, na Festa dos Tabernáculos (procissão de luzes e água lustral de Siloé): Cristo dá a vista ao cego, mandando-o lavar-se em Siloé: “quem tem sede venha a mim e beba!” – promessa do Espírito.
O sétimo sinal: Jesus ressuscita Lázaro logo após a Festa da Dedicação: ele se apresenta como o verdadeiro Consagrado-Dedicado ao Pai. A ressurreição de Lázaro é antecipação da de Jesus e da dos que nele acreditam: “Os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus; os que a tiverem ouvido, viverão!” O óleo de Maria guardado para a sepultura e o grão de trigo que cai e morre ligam a morte de Lázaro à de Jesus. 
c) A conclusão final: a rejeição de Jesus (12,37-50) 
C. O LIVRO DA GLÓRIA
Aos que o aceitam Jesus revela sua glória, retornando ao Pai pela sua Páscoa. Plenamente glorificado, ele comunica o Espírito de vida.


A Última Ceia, com o lava-pés, gesto de extrema humilhação (segundo O. Cullmann é representação não somente da morte como também da Eucaristia, carne e sangue oferecidos ao homem).
O último discurso, centrado nos temas da fé e do amor. – agora o preceito já não mais é amar o próximo como a si mesmo, mas como Jesus que dá a vida. Jesus promete por cinco vezes o Paráclito e termina confiando ao Pai sua Comunidade.
A narrativa da paixão. Cristo é preso numa cena epifânica (EU SOU). A narrativa desenvolve-se em quatro cenas: no jardim, o Eu Sou; o processo judaico, o processo romano que se dá em torno das idéias de “rei” e de “verdade”; finalmente a cruz, que revela a verdadeira realeza de Jesus. Com o “Está consumado!” Jesus, do alto, celebra seu triunfo. A cena do lado aberto é de rico significado...
Jesus ressuscitado: é necessário um olhar diferente para reconhecê-lo; já não se pode retê-lo – ele é transcendente. O Ressuscitado doa o Espírito. 
D. COMPLEMENTO 
O capítulo 21 é complemento posterior, resultado da segunda redação. Pedro e João, as testemunhas desaparecem: permanece a Igreja, com o ministério petrino, que deve amar e apascentar e a certeza de ser amada pelo Senhor. Assim encerra-se uma época – a das primeiras testemunhas.
Conclusão geral (20,30-31) 
V. Conclusão 
Ler e meditar o Evangelho de João é uma verdadeira experiência mística de Cristo. É um texto para ser saboreado num clima de oração, docilidade ao Espírito Santo e profundo espírito de fé e intimidade com o Senhor.
Além de apresentar o mistério de Cristo deu m modo saborosíssimo, João apresenta-nos os temas fundamentais da fé e do amor, a revelação mais completa dos mistérios da Santíssima Trindade e da Encarnação do Verbo, Filho eterno e Unigênito no seio do Pai, que nos torna filhos adotivos. Apresenta-nos também pontos sobre a doutrina a respeito da Igreja (cf. 10,1-18; 15,1-17; 21,15-17) e dos sacramentos (cf. 3,1-8; 6,51-59; 20,22-23) e apresenta-nos muito sobre o papel da Virgem Maria, a “Mulher”, nova Eva, Mãe da nova humanidade resgatada (cf. 2,1-5; 19,25-27).
Por tudo isso, vale a pena uma leitura meditada, estudiosa e orante do Quarto Evangelho.

Côn. Henrique Soares da Costa
Da Igreja de Maceió
http://www.catequesepiracicaba.net/2015/09/setembro-mes-da-biblia.html

POR QUE COROAMOS A IMAGEM DE NOSSA SENHORA?

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A devoção que a Igreja tem de coroar a imagem da Virgem Maria em muitas datas em que celebramos uma festa a ela dedicada, em especial no mês de Maio, é muito antiga.
Este gesto quer externar o carinho que sentimos pela Mãe de Jesus e nossa Mãe. Não se trata de uma devoção vazia de sentido, e nem mesmo a consideramos uma deusa, pois Maria não é um fim em si mesma. Não é meta, mas é sinal. Sua missão é sempre nos apontar Jesus. Ela é aurora que antecede a luz radiante do magnífico Sol que é Cristo.
· Coroamos a sua Imagem, porque em nosso coração Ela tem um lugar especial, pois pelo seu “fiat” (faça-se) Deus torna-se Homem em seu seio virginal. Ao anúncio do Arcanjo Gabriel, que falou - lhe claramente: “o santo que vai nascer de ti será chamado filho de Deus”. (Lc 1,35), Maria não titubeia e se coloca como serva, não só com palavras, mas logo vai ao encontro de sua prima Isabel, que ao receber sua visita, exclamou: “donde me esta honra de vir a mim a mãe do meu Senhor“. (Lc 1,43)
· 
· Ela é especial porque nos deu JESUS, LUZ PARA A NOSSA VIDA. No princípio, Deus disse: “faça-se a luz e a luz foi feita” (Gn 1,3). Milhares de anos mais tarde, Deus precisava de uma nova luz no mundo. Escolheu e consultou Maria e ELA respondeu: “FAÇA-SE!” E nasceu JESUS, a Luz do mundo. (Lc 1,38)


· A primeira luz era a aurora do mundo físico, luz necessária “porque o mundo estava informe e vazio, as trevas cobriam o abismo, e o Espírito de Deus pairava sobre as águas”. (Gn 1). E o Espírito, que desceu sobre a Virgem, ainda hoje faz nascer Jesus, em nossos corações ansiosos, trazendo-nos, assim a resposta para nossas profundas aspirações de felicidade e paz.


· Coroamos a sua imagem, porque ELA é modelo para nossa caminhada de fé. Sua prima Isabel lhe disse:”bem aventurada és tu que creste, pois hão de cumprir as coisas, que da parte do Senhor te foram ditas”(Lc 1,45). Maria viveu de fé, de uma fé semelhante á nossa exposta às contradições e envolta na obscuridade, de uma busca incessante do Deus Vivo, na Pessoa de Seu Filho.


· Maria soube crescer na fé. Jesus se apresenta à Maria como o Filho que só pode ser entendido pela Mãe através da fé. Conforme a anunciação do arcanjo Gabriel: “a criança se chamará Jesus, é filho do Altíssimo, filho de Deus” (Lc 1, 35). Porque, pela fé, Maria soube gerar Jesus primeiro no coração antes de gerá-Lo no ventre. 


· Na vida pobre e silenciosa de Jesus, Maria percebe pela fé, a realidade humilde do Messias. (Lc 1,32; 2,32)


· A Virgem Maria sustenta nossa caminhada, pelos caminhos do Senhor:
- aceita Jesus como Filho; (Lc 1,38)
- visita Isabel e a ajuda; (Lc 1, 39-56)
- João Batista é santificado pela Sua presença ainda no ventre da mãe; (Lc 1,44)
- entrega Jesus ao Pai no Templo; (Lc 2, 22-25)
- segue Jesus na vida pública, em silêncio; (Mc 3,31-35)
-está com Ele na caminhada para o Calvário e aos pés da cruz; (Jo 19, 25)
- está com os apóstolos em Pentecostes, no início da Igreja, animando-os e orando com eles. (At 1,14)

Coroamos a imagem de Maria, porque nos momentos em nos faltar a alegria, a fé, a força, o diálogo, a harmonia, a coragem, o ânimo, Ela, assim como fez na festa de casamento em Caná da Galiléia, nos convida a obedecer: “fazei tudo o Ele (Jesus), vos disser” e temos certeza, que assim como aconteceu com aquelas pessoas, a festa de nossa vida será plena de sentido. (Jo 2, 1-11). 


Maria, aquela que foi toda de Deus, que sempre soube ouvir e meditar a Palavra em seu coração. (Lc 2.19), deve ser descoberta no cotidiano de nossas vidas, para dizermos com simplicidade de filhos e filhas:
MARIA, QUE A VEJAMOS COMO MÃE, E SIGAMOS O CAMINHO QUE NOS APONTA PARA JESUS! E ASSIM COMO O APÓSTOLO JOÃO, LEVÁ-LA PARA NOSSAS CASAS (Jo 19,26-27), POIS SEU TESTEMUNHO DE DISCÍPULA NOS SUSTENTARÁ EM NOSSOS DESAFIOS DE LEVAR ADIANTE A MENSAGEM DE FRATERNIDADE DEIXADA PELO SEU DIVINO FILHO A ESTE MUNDO TÃO CONTURBADO E SEDENTO DE BOAS NOTÍCIAS: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. (Jo 15.12).

Nós coroamos a imagem de Maria, por ser Ela a mãe carinhosa, zelosa, solícita e paciente, que está sempre a nos mostrar o caminho da humildade, do serviço e do sim generoso e desinteressado. Ela não é deusa, não mais que Deus, mas depois de Jesus, o Senhor, neste mundo ninguém foi maior. Nós não adoramos Maria, mas a veneramos por ser Ela a mulher feliz que sempre praticou a Palavra de Deus, sendo assim chamada pelo próprio Jesus. (Lc 11,28)

Enfim, nós coroamos a imagem de Maria, para cantar com ela as maravilhas de Deus “minha alma glorifica o Senhor, e meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque Ele olhou para a humildade de sua serva! Todas as gerações, de agora em diante me chamarão feliz, porque o Todo-Poderoso fez para mim coisas grandiosas. O seu nome é Santo”. (Lc 1, 47-49), e concluímos com a ajuda da Virgem Maria: “Há um só Deus e um só mediador entre Deus e a humanidade: Cristo Jesus” (I Tm 2,5), mas fica a certeza para todos nós seus filhos e filhas: mãe zelosa e terna, servidora de Deus e dos irmãos e irmãs por excelência, ouvinte e praticante da Palavra, discípula atenta, perseverante e incentivadora nos caminhos de Seu Divino Filho, não houve e nunca haverá outra igual.

Por tudo isso, saudamos e coroamos a sua imagem Mãe Maria, para externar que desejamos sempre coroá-la em nossos corações como exemplo de cristã autêntica. 

http://www.catequesepiracicaba.net/2015/05/porque-coroamos-imagem-de-nossa-senhora.html

CATEQUESE: REAVIVAR A ESPERANÇA

CATEQUESE:
A NECESSIDADE DE REAVIVAR A ESPERANÇA


Estamos ainda vivendo o Tempo Pascal. Este tempo é mais longo, pois a ressurreição de Cristo é sempre a festa da esperança para que o ser humano se lembre que a Ressurreição é a intervenção da força de Deus quando toda esperança parece perdida e não o final feliz de uma linda fábula.

Olhando Jesus na sua paixão, nós vemos como num espelho os sofrimentos da humanidade e encontramos a resposta divina ao mistério do mal, da dor e da morte.

Muitas vezes, sentimos horror pelo mal e pela dor que nos circunda e nos perguntamos como Deus permite o sofrimento e a morte, principalmente dos inocentes. Quando vemos as crianças sofrerem, é uma ferida no coração. E Jesus toma todo este mal, este sofrimento sobre si.

Nós esperamos que Ele, na sua onipotência, derrote a injustiça, o mal, o pecado e o sofrimento com uma vitória divina triunfante. Ao contrário, Deus nos mostra uma vitória humilde, que humanamente parece uma falência. Mas, Jesus, vence na falência. Trata-se de um mistério desconcertante Se, depois de todo o bem que realizara, não tivesse existido esta morte tão humilhante, Jesus não teria mostrado a medida total do seu amor. A falência histórica de Jesus e as frustrações de muitas esperanças humanas são a estrada mestra, por onde Deus realiza a nossa salvação. É uma estrada que não coincide com os critérios humanos; pelo contrário, inverte-os: pelas suas chagas fomos curados.

Quando tudo parece perdido, é então que Deus intervém com a força da ressurreição. Por isso, a ressurreição de Jesus não é o final feliz de uma linda fábula, mas a intervenção de Deus Pai, quando toda a esperança humana já tinha desmoronado. E também nós somos chamados a seguir Jesus por este caminho de humilhação.

A esperança é fundamental para nossa vida. É ela que move a vida, que nos anima a viver. Sem esperança é difícil viver. Ela é determinante para a vida.

Embora a esperança, hoje, esteja bastante enfraquecida, pois ela deu lugar ao pessimismo, ao descrédito, à frustração, depressão, e isto causa desespero, falta de confiança, de que seja possível conseguir o que se almeja. Sempre é tempo de renová-la. E a verdadeira fé se expressa na esperança.


A esperança é a estrada pela qual caminha nossa fé. A fé remove montanhas, a esperança aguarda o dia da remoção. A fé é a certeza em forma de projeto, a esperança é a execução deste projeto. A fé nos impulsiona a pedir, a esperança nos ajuda sobre como e quando receber. A fé avista o horizonte, a esperança nos move até lá

Quando temos esperança, conseguimos superar circunstâncias, o tempo e a razão. Ela não se condiciona e não se firma no que vê e acontece à nossa volta. Ela vê além. Ela busca a superação dos obstáculos. A esperança é sempre mais forte e sempre maior que os desafios. Ë maior do que os problemas e sofrimentos que nos afligem e angustiam. Quem tem esperança não se intimida ou recua, mesmo que as adversidades sejam grandes.

A verdadeira esperança confia e sabe esperar. É firme, paciente, perseverante e não desiste facilmente. A verdadeira esperança acredita e espera pelo impossível, pelo que muitas vezes não tem lógica, pelo que escapa e desafia a própria razão.

Para ilustrar este texto uma história, com sugestão de encenação:

A ESTRELINHA VERDE (com as luzes apagadas) Dar velas para outras pessoas
Há muito tempo, as estrelinhas do jardim de Deus estavam animadas querendo novas aventuras. Havia centenas de estrelinhas coloridas, lindas: vermelhas, amarelas, azuis, lilases, enfim de todas as cores. (neste momento acendem-se as velas – no palco).

Neste dia, as estrelinhas pediram para Deus que lhes desse permissão para sair do céu. Queriam visitar um pequeno planeta azul, chamado Terra. Insistiram Fizeram tamanha confusão que Deus não teve outra escolha e deixou-as partir... (as “estrelinhas” se espalham). Umas estrelinhas foram logo visitar a neve branquinha, outras foram ver o alaranjado dos vulcões, o verde das florestas, algumas se encantaram em mergulhar no mar. Umas foram ver as cachoeiras, outras se deliciavam nos lagos; umas subiam nas montanhas, apaixonavam-se pela variedade de pássaros e flores.
Várias ficavam paradinhas ao entardecer, observando o espetáculo de cores do sol poente. A negritude da lua a iluminar a noite. Estavam nas torres das Igrejas, nos telhados das casas... E, assim, espalharam-se absolutamente encantadas com a beleza da Terra.

Prestando atenção, em pouco tempo as estrelinhas começaram a entender a linguagem das coisas e dos homens. Começaram a ver que no meio de tanta beleza, havia também o sofrimento. Espantaram-se ao ver rios poluídos sem tratamento, observaram o ar pesado com gases envenenados, testemunharam árvores sendo abatidas, viram crianças mendigando, e sendo espancadas. Viram desemprego, fome... Ficaram tão tristes que começaram a perder a sua cor. Logo se reuniram e decidiram voltar para o jardim de Deus (todas as “estrelinhas” se reúnem, menos a verde), e lá disseram que aqui na Terra era tudo muito triste, e Deus lhes diz, que na verdade somente junto Dele é que se encontra a felicidade, por isso já eram esperadas.

Deus deu uma rápida olhada em suas estrelinhas, e perguntou por uma estrela que faltava. Era a única daquela cor. A cor verde, a cor da esperança. E as estrelinhas disseram que ela quis ficar na Terra. E ao olharem, viram que ela já não estava mais só. Havia uma estrela brilhando no coração de muitos homens (acender as outras “estrelinhas”- um acende do outro).

Então Deus lhe pergunta por que ela não quis voltar junto para Dele.
A estrelinha verde responde:

OUTRA PESSOA: “O SENHOR QUE JÁ CONHECE A ETERNIDADE E O QUE EXISTE POR DETRÁS DE TODAS AS COISAS, NÃO PRECISA DA ESPERANÇA. QUEM PRECISA DE ESPERANÇA SÃO AS PESSOAS QUE NO SEU DIA A DIA ENFRENTAM MUITAS DIFICULDADES: FOME DESEMPREGO, DOENÇAS, CORRUPÇÃO, PARA QUE NÃO DESANIMEM E TENHAM FORÇAS DE LUTAR POR UM MUNDO MELHOR, MAIS JUSTO E MAIS FRATERNO. POR ISSO, EU, A ESTRELA DA ESPERANÇA JAMAIS OS ABANDONAREI, POIS, TENHO CERTEZA, QUE ATRAVÉS DA ESPERANÇA PLANTADA E CULTIVADA EM CADA CORAÇÃO LEVAREI MUITOS A ESPALHAREM AMOR E PAZ POR ONDE PASSAREM, DURANTE TODO O TEMPO.”
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(apagam-se as “estrelinhas” e acendem-se as luzes)

http://www.catequesepiracicaba.net/2015/05/reavivar-esperanca.html

REFLEXÃO: JÁ NÃO ESCRAVOS, MAS IRMÃOS

REFLEXÃO: 

Mensagem do Papa Francisco para o 48º Dia Mundial da Paz (2015)



1. No início dum novo ano, que acolhemos como uma graça e um dom de Deus para a humanidade, desejo dirigir, a cada homem e mulher, bem como a todos os povos e nações do mundo, aos chefes de Estado e de Governo e aos responsáveis das várias religiões, os meus ardentes votos de paz, que acompanho com a minha oração a fim de que cessem as guerras, os conflitos e os inúmeros sofrimentos provocados quer pela mão do homem quer por velhas e novas epidemias e pelos efeitos devastadores das calamidades naturais. Rezo de modo particular para que, respondendo à nossa vocação comum de colaborar com Deus e com todas as pessoas de boa vontade para a promoção da concórdia e da paz no mundo, saibamos resistir à tentação de nos comportarmos de forma não digna da nossa humanidade.
Já, na minha mensagem para o 1º de Janeiro passado, fazia notar que «o anseio duma vida plena (…) contém uma aspiração irreprimível de fraternidade, impelindo à comunhão com os outros, em quem não encontramos inimigos ou concorrentes, mas irmãos que devemos acolher e abraçar».1 Sendo o homem um ser relacional, destinado a realizar-se no contexto de relações interpessoais inspiradas pela justiça e a caridade, é fundamental para o seu desenvolvimento que sejam reconhecidas e respeitadas a sua dignidade, liberdade e autonomia. Infelizmente, o flagelo generalizado da exploração do homem pelo homem fere gravemente a vida de comunhão e a vocação a tecer relações interpessoais marcadas pelo respeito, a justiça e a caridade. Tal fenômeno abominável, que leva a espezinhar os direitos fundamentais do outro e a aniquilar a sua liberdade e dignidade, assume múltiplas formas sobre as quais desejo deter-me, brevemente, para que, à luz da Palavra de Deus, possamos considerar todos os homens, «já não escravos, mas irmãos».
À ESCUTA DO PROJETO DE DEUS PARA A HUMANIDADE
2. O tema, que escolhi para esta mensagem, inspira-se na Carta de São Paulo a Filémon; nela, o Apóstolo pede ao seu colaborador para acolher Onésimo, que antes era escravo do próprio Filémon mas agora tornou-se cristão, merecendo por isso mesmo, segundo Paulo, ser considerado um irmão. Escreve o Apóstolo dos gentios: «Ele foi afastado por breve tempo, a fim de que o recebas para sempre, não já como escravo, mas muito mais do que um escravo, como irmão querido» (Fm 15-16). Tornando-se cristão, Onésimo passou a ser irmão de Filémon. Deste modo, a conversão a Cristo, o início duma vida de discipulado em Cristo constitui um novo nascimento (cf. 2 Cor 5, 17; 1 Ped 1, 3), que regenera a fraternidade como vínculo fundante da vida familiar e alicerce da vida social.
Lemos, no livro do Gênesis (cf. 1, 27-28), que Deus criou o ser humano como homem e mulher e abençoou-os para que crescessem e se multiplicassem: a Adão e Eva, fê-los pais, que, no cumprimento da bênção de Deus para ser fecundos e multiplicar-se, geraram a primeira fraternidade: a de Caim e Abel. Saídos do mesmo ventre, Caim e Abel são irmãos e, por isso, têm a mesma origem, natureza e dignidade de seus pais, criados à imagem e semelhança de Deus.
Mas, apesar de os irmãos estarem ligados por nascimento e possuírem a mesma natureza e a mesma dignidade, a fraternidade exprime também a multiplicidade e a diferença que existe entre eles. Por conseguinte, como irmãos e irmãs, todas as pessoas estão, por natureza, relacionadas umas com as outras, cada qual com a própria especificidade e todas partilhando a mesma origem, natureza e dignidade. Em virtude disso, a fraternidade constitui a rede de relações fundamentais para a construção da família humana criada por Deus.
Infelizmente, entre a primeira criação narrada no livro do Gênesis e o novo nascimento em Cristo – que torna, os crentes, irmãos e irmãs do «primogênito de muitos irmãos» (Rm 8, 29) –, existe a realidade negativa do pecado, que interrompe tantas vezes a nossa fraternidade de criaturas e deforma continuamente a beleza e nobreza de sermos irmãos e irmãs da mesma família humana. Caim não só não suporta o seu irmão Abel, mas mata-o por inveja, cometendo o primeiro fratricídio. «O assassinato de Abel por Caim atesta, tragicamente, a rejeição radical da vocação a ser irmãos. A sua história (cf. Gn 4, 1-16) põe em evidência o difícil dever, a que todos os homens são chamados, de viver juntos, cuidando uns dos outros».
Também na história da família de Noé e seus filhos (cf. Gen 9, 18-27), é a falta de piedade de Cam para com seu pai, Noé, que impele este a amaldiçoar o filho irreverente e a abençoar os outros que o tinham honrado, dando assim lugar a uma desigualdade entre irmãos nascidos do mesmo ventre.
Na narração das origens da família humana, o pecado de afastamento de Deus, da figura do pai e do irmão torna-se uma expressão da recusa da comunhão e traduz-se na cultura da servidão (cf. Gen 9, 25-27), com as consequências daí resultantes que se prolongam de geração em geração: rejeição do outro, maus-tratos às pessoas, violação da dignidade e dos direitos fundamentais, institucionalização de desigualdades. Daqui se vê a necessidade duma conversão contínua à Aliança levada à perfeição pela oblação de Cristo na cruz, confiantes de que, «onde abundou o pecado, superabundou a graça (…) por Jesus Cristo» (Rm 5, 20.21). Ele, o Filho amado (cf. Mt 3, 17), veio para revelar o amor do Pai pela humanidade. Todo aquele que escuta o Evangelho e acolhe o seu apelo à conversão, torna-se, para Jesus, «irmão, irmã e mãe» (Mt 12, 50) e, consequentemente, filho adotivo de seu Pai (cf. Ef 1, 5).
No entanto, os seres humanos não se tornam cristãos, filhos do Pai e irmãos em Cristo por imposição divina, isto é, sem o exercício da liberdade pessoal, sem se converterem livremente a Cristo. Ser filho de Deus requer que primeiro se abrace o imperativo da conversão: «Convertei-vos – dizia Pedro no dia de Pentecostes – e peça cada um o batismo em nome de Jesus Cristo, para a remissão dos seus pecados; recebereis, então, o dom do Espírito Santo» (At 2, 38). Todos aqueles que responderam com a fé e a vida àquela pregação de Pedro, entraram na fraternidade da primeira comunidade cristã (cf. 1 Pd 2, 17; Act 1, 15.16; 6, 3; 15, 23): judeus e gregos, escravos e homens livres (cf. 1 Cor 12, 13; Gl 3, 28), cuja diversidade de origem e estado social não diminui a dignidade de cada um, nem exclui ninguém do povo de Deus. Por isso, a comunidade cristã é o lugar da comunhão vivida no amor entre os irmãos (cf. Rm 12, 10; 1 Ts 4, 9; Hb 13, 1; 1 Pd 1, 22; 2 Pd 1, 7).
Tudo isto prova como a Boa Nova de Jesus Cristo – por meio de Quem Deus «renova todas as coisas» (Ap 21, 5)3 – é capaz de redimir também as relações entre os homens, incluindo a relação entre um escravo e o seu senhor, pondo em evidência aquilo que ambos têm em comum: a filiação adotiva e o vínculo de fraternidade em Cristo. O próprio Jesus disse aos seus discípulos: «Já não vos chamo servos, visto que um servo não está ao corrente do que faz o seu senhor; mas a vós chamei-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi ao meu Pai» (Jo 15, 15).
AS MÚLTIPLAS FACES DA ESCRAVATURA, ONTEM E HOJE
3. Desde tempos imemoriais, as diferentes sociedades humanas conhecem o fenômeno da sujeição do homem pelo homem. Houve períodos na história da humanidade em que a instituição da escravatura era geralmente admitida e regulamentada pelo direito. Este estabelecia quem nascia livre e quem, pelo contrário, nascia escravo, bem como as condições em que a pessoa, nascida livre, podia perder a sua liberdade ou recuperá-la. Por outras palavras, o próprio direito admitia que algumas pessoas podiam ou deviam ser consideradas propriedade de outra pessoa, a qual podia dispor livremente delas; o escravo podia ser vendido e comprado, cedido e adquirido como se fosse uma mercadoria qualquer.
Hoje, na sequência duma evolução positiva da consciência da humanidade, a escravatura – delito de lesa humanidade4 – foi formalmente abolida no mundo. O direito de cada pessoa não ser mantida em estado de escravidão ou servidão foi reconhecido, no direito internacional, como norma irrevogável.
Mas, apesar de a comunidade internacional ter adotado numerosos acordos para pôr termo à escravatura em todas as suas formas e ter lançado diversas estratégias para combater este fenômeno, ainda hoje milhões de pessoas – crianças, homens e mulheres de todas as idades – são privadas da liberdade e constrangidas a viver em condições semelhantes às da escravatura.
Penso em tantos trabalhadores e trabalhadoras, mesmo menores, escravizados nos mais diversos setores, a nível formal e informal, desde o trabalho doméstico ao trabalho agrícola, da indústria manufatureira à mineração, tanto nos países onde a legislação do trabalho não está conforme às normas e padrões mínimos internacionais, como – ainda que ilegalmente – naqueles cuja legislação protege o trabalhador.
Penso também nas condições de vida de muitos migrantes que, ao longo do seu trajeto dramático, padecem a fome, são privados da liberdade, despojados dos seus bens ou abusados física e sexualmente. Penso em tantos deles que, chegados ao destino depois duma viagem duríssima e dominada pelo medo e a insegurança, ficam detidos em condições às vezes desumanas. Penso em tantos deles que diversas circunstâncias sociais, políticas e econômicas impelem a passar à clandestinidade, e naqueles que, para permanecer na legalidade, aceitam viver e trabalhar em condições indignas, especialmente quando as legislações nacionais criam ou permitem uma dependência estrutural do trabalhador migrante em relação ao dador de trabalho como, por exemplo, condicionando a legalidade da estadia ao contrato de trabalho… Sim! Penso no «trabalho escravo».
Penso nas pessoas obrigadas a prostituírem-se, entre as quais se contam muitos menores, e nas escravas e escravos sexuais; nas mulheres forçadas a casar-se, quer as que são vendidas para casamento quer as que são deixadas em sucessão a um familiar por morte do marido, sem que tenham o direito de dar ou não o próprio consentimento.
Não posso deixar de pensar a quantos, menores e adultos, são objeto de tráfico e comercialização para remoção de órgãos, para ser recrutados como soldados, para servir de pedintes, para atividades ilegais como a produção ou venda de drogas, ou para formas disfarçadas de adoção internacional.
Penso, enfim, em todos aqueles que são raptados e mantidos em cativeiro por grupos terroristas, servindo os seus objetivos como combatentes ou, especialmente no que diz respeito às meninas e mulheres, como escravas sexuais. Muitos deles desaparecem, alguns são vendidos várias vezes, torturados, mutilados ou mortos.
ALGUMAS CAUSAS PROFUNDAS DA ESCRAVATURA
4. Hoje como ontem, na raiz da escravatura, está uma concepção da pessoa humana que admite a possibilidade de a tratar como um objeto. Quando o pecado corrompe o coração do homem e o afasta do seu Criador e dos seus semelhantes, estes deixam de ser sentidos como seres de igual dignidade, como irmãos e irmãs em humanidade, passando a ser vistos como objetos. Com a força, o engano, a coação física ou psicológica, a pessoa humana – criada à imagem e semelhança de Deus – é privada da liberdade, mercantilizada, reduzida a propriedade de alguém; é tratada como meio, e não como fim.
Juntamente com esta causa ontológica – a rejeição da humanidade no outro –, há outras causas que concorrem para se explicar as formas atuais de escravatura. Entre elas, penso em primeiro lugar na pobreza, no subdesenvolvimento e na exclusão, especialmente quando os três se aliam com a falta de acesso à educação ou com uma realidade caracterizada por escassas, se não mesmo inexistentes, oportunidades de emprego. Não raro, as vítimas de tráfico e servidão são pessoas que procuravam uma forma de sair da condição de pobreza extrema e, dando crédito a falsas promessas de trabalho, caíram nas mãos das redes criminosas que gerem o tráfico de seres humanos. Estas redes utilizam habilmente as tecnologias informáticas modernas para atrair jovens e adolescentes de todos os cantos do mundo.
Entre as causas da escravatura, deve ser incluída também a corrupção daqueles que, para enriquecer, estão dispostos a tudo. Na realidade, a servidão e o tráfico das pessoas humanas requerem uma cumplicidade que muitas vezes passa através da corrupção dos intermediários, de alguns membros das forças da polícia, de outros setores do Estado ou de variadas instituições, civis e militares. «Isto acontece quando, no centro de um sistema econômico, está o deus dinheiro, e não o homem, a pessoa humana. Sim, no centro de cada sistema social ou econômico, deve estar a pessoa, imagem de Deus, criada para que fosse o dominador do universo. Quando a pessoa é deslocada e chega o deus dinheiro, dá-se esta inversão de valores».
Outras causas da escravidão são os conflitos armados, as violências, a criminalidade e o terrorismo. Há inúmeras pessoas raptadas para ser vendidas, recrutadas como combatentes ou exploradas sexualmente, enquanto outras se vêem obrigadas a emigrar, deixando tudo o que possuem: terra, casa, propriedades e mesmo os familiares. Estas últimas, impelidas a procurar uma alternativa a tão terríveis condições, mesmo à custa da própria dignidade e sobrevivência, arriscam-se assim a entrar naquele círculo vicioso que as torna presa da miséria, da corrupção e das suas consequências perniciosas.
UM COMPROMISSO COMUM PARA VENCER A ESCRAVATURA
5. Quando se observa o fenômeno do comércio de pessoas, do tráfico ilegal de migrantes e de outras faces conhecidas e desconhecidas da escravidão, fica-se frequentemente com a impressão de que o mesmo tem lugar no meio da indiferença geral.
Sem negar que isto seja, infelizmente, verdade em grande parte, apraz-me mencionar o enorme trabalho que muitas congregações religiosas, especialmente femininas, realizam silenciosamente, há tantos anos, a favor das vítimas. Tais institutos atuam em contextos difíceis, por vezes dominados pela violência, procurando quebrar as cadeias invisíveis que mantêm as vítimas presas aos seus traficantes e exploradores; cadeias, cujos elos são feitos não só de subtis mecanismos psicológicos que tornam as vítimas dependentes dos seus algozes, através de chantagem e ameaça a eles e aos seus entes queridos, mas também através de meios materiais, como a apreensão dos documentos de identidade e a violência física. A atividade das congregações religiosas está articulada a três níveis principais:
· o socorro às vítimas, a sua reabilitação sob o perfil psicológico e formativo e a sua reintegração na sociedade de destino ou de origem.
Este trabalho imenso, que requer coragem, paciência e perseverança, merece o aplauso da Igreja inteira e da sociedade. Naturalmente o aplauso, por si só, não basta para se pôr termo ao flagelo da exploração da pessoa humana. Faz falta também um tríplice empenho a nível institucional:
· prevenção, proteção das vítimas e ação judicial contra os responsáveis. Além disso, assim como as organizações criminosas usam redes globais para alcançar os seus objetivos, assim também a ação para vencer este fenômeno requer um esforço comum e igualmente global por parte dos diferentes setores que compõem a sociedade.
Os Estados deveriam vigiar por que as respectivas legislações nacionais sobre as migrações, o trabalho, as adoções, a transferência das empresas e a comercialização de produtos feitos por meio da exploração do trabalho sejam efetivamente respeitadoras da dignidade da pessoa. São necessárias leis justas, centradas na pessoa humana, que defendam os seus direitos fundamentais e, se violados, os recuperem reabilitando quem é vítima e assegurando a sua incolumidade, como são necessários também mecanismos eficazes de controle da correta aplicação de tais normas, que não deixem espaço à corrupção e à impunidade. É preciso ainda que seja reconhecido o papel da mulher na sociedade, intervindo também no plano cultural e da comunicação para se obter os resultados esperados.
As organizações intergovernamentais são chamadas, no respeito pelo princípio da subsidiariedade, a implementar iniciativas coordenadas para combater as redes transnacionais do crime organizado que gerem o mercado de pessoas humanas e o tráfico ilegal dos migrantes. Torna-se necessária uma cooperação a vários níveis, que englobe as instituições nacionais e internacionais, bem como as organizações da sociedade civil e do mundo empresarial.
Com efeito, as empresas6 têm o dever não só de garantir aos seus empregados condições de trabalho dignas e salários adequados, mas também de vigiar por que não tenham lugar, nas cadeias de distribuição, formas de servidão ou tráfico de pessoas humanas. A par da responsabilidade social da empresa, aparece depois a responsabilidade social do consumidor. Na realidade, cada pessoa deveria ter consciência de que «comprar é sempre um acto moral, para além de econômico».
As organizações da sociedade civil, por sua vez, têm o dever de sensibilizar e estimular as consciências sobre os passos necessários para combater e erradicar a cultura da servidão.
Nos últimos anos, a Santa Sé, acolhendo o grito de sofrimento das vítimas do tráfico e a voz das congregações religiosas que as acompanham rumo à libertação, multiplicou os apelos à comunidade internacional pedindo que os diversos setores unam os seus esforços e cooperem para acabar com este flagelo.8 Além disso, foram organizados alguns encontros com a finalidade de dar visibilidade ao fenômeno do tráfico de pessoas e facilitar a colaboração entre os diferentes setores, incluindo peritos do mundo acadêmico e das organizações internacionais, forças da polícia dos diferentes países de origem, trânsito e destino dos migrantes, e representantes dos grupos eclesiais comprometidos em favor das vítimas. Espero que este empenho continue e se reforce nos próximos anos.
GLOBALIZAR A FRATERNIDADE, NÃO A ESCRAVIDÃO NEM A INDIFERENÇA
6. Na sua atividade de «proclamação da verdade do amor de Cristo na sociedade», a Igreja não cessa de se empenhar em ações de caráter caritativo guiada pela verdade sobre o homem. Ela tem o dever de mostrar a todos o caminho da conversão, que induz a voltar os olhos para o próximo, a ver no outro – seja ele quem for – um irmão e uma irmã em humanidade, a reconhecer a sua dignidade intrínseca na verdade e na liberdade, como nos ensina a história de Josefina Bakhita, a Santa originária da região do Darfur, no Sudão. Raptada por traficantes de escravos e vendida a patrões desalmados desde a idade de nove anos, haveria de tornar-se, depois de dolorosas vicissitudes, «uma livre filha de Deus» mediante a fé vivida na consagração religiosa e no serviço aos outros, especialmente aos pequenos e fracos. Esta Santa, que viveu a cavalo entre os séculos XIX e XX, é também hoje testemunha exemplar de esperança para as numerosas vítimas da escravatura e pode apoiar os esforços de quantos se dedicam à luta contra esta «ferida no corpo da humanidade contemporânea, uma chaga na carne de Cristo».
Nesta perspectiva, desejo convidar cada um, segundo a respectiva missão e responsabilidades particulares, a realizar gestos de fraternidade a bem de quantos são mantidos em estado de servidão. Perguntemo-nos, enquanto comunidade e indivíduo, como nos sentimos interpelados quando, na vida cotidiana, nos encontramos ou lidamos com pessoas que poderiam ser vítimas do tráfico de seres humanos ou, quando temos de comprar, se escolhemos produtos que poderiam razoavelmente resultar da exploração de outras pessoas. Há alguns de nós que, por indiferença, porque distraídos com as preocupações diárias, ou por razões econômicas, fecham os olhos. Outros, pelo contrário, optam por fazer algo de positivo, comprometendo-se nas associações da sociedade civil ou praticando no dia-a-dia pequenos gestos como dirigir uma palavra, trocar um cumprimento, dizer «bom dia» ou oferecer um sorriso; estes gestos, que têm imenso valor e não nos custam nada, podem dar esperança, abrir estradas, mudar a vida a uma pessoa que tateia na invisibilidade e mudar também a nossa vida face a esta realidade.
Temos de reconhecer que estamos perante um fenômeno mundial que excede as competências de uma única comunidade ou nação. Para vencê-lo, é preciso uma mobilização de dimensões comparáveis às do próprio fenômeno. Por esta razão, lanço um veemente apelo a todos os homens e mulheres de boa vontade e a quantos, mesmo nos mais altos níveis das instituições, são testemunhas, de perto ou de longe, do flagelo da escravidão contemporânea, para que não se tornem cúmplices deste mal, não afastem o olhar à vista dos sofrimentos de seus irmãos e irmãs em humanidade, privados de liberdade e dignidade, mas tenham a coragem de tocar a carne sofredora de Cristo, o Qual se torna visível através dos rostos inumeráveis daqueles a quem Ele mesmo chama os «meus irmãos mais pequeninos» (Mt 25, 40.45).
Sabemos que Deus perguntará a cada um de nós: Que fizeste do teu irmão? (cf. Gn 4, 9-10). A globalização da indiferença, que hoje pesa sobre a vida de tantas irmãs e de tantos irmãos, requer de todos nós que nos façamos artífices duma globalização da solidariedade e da fraternidade que possa devolver-lhes a esperança e levá-los a retomar, com coragem, o caminho através dos problemas do nosso tempo e as novas perspectivas que este traz consigo e que Deus coloca em nossas mãos.
http://www.catequesepiracicaba.net/2014/12/mensagem-do-papa-francisco-para-o-48.html

ENSINO RELIGIOSO: A PRIMAVERA ESTA CHEGANDO...


“Porque há esperança para a árvore que, se for cortada, ainda se renovará, e não cessarão seus ramos” (Jó 14,7)
Queridos irmãos e irmãs, a primavera chegou. Abra seu coração, pois Deus quer lançar uma semente dentro dele.
A Primavera este ano inicia precisamente na SETEMBRO, com a chegada da nova estação, há uma mudança no regime de chuvas e temperaturas na maior parte do Brasil. Os dias são mais compridos e a luminosidade é muito maior. Todas estas mudanças climáticas afetam também a vida de todos os seres na terra. È nesta época que a maioria das espécies procriam. As flores, especialmente as flores, se fazem presentes neste período. Desabrocham, crescem, enfeitam e perfumam tudo a nossa volta.


A Primavera é uma estação especial porque dá a vida um clima de otimismo, de renovação. Traz-noz a sensação de que as coisas boas acontecem e, principalmente, de que o amor está no ar. No canto dos pássaros, na beleza dos jardins, em cada pessoa, em cada sorriso.
Aproveite o sol no rosto, o vento nos cabelos, o perfume e a beleza das flores. Curta o clima nas ruas e parques, pise descalço na grama e sinta a natureza ao seu redor.
Nos países da América do Norte a neve derrete e muitos animais acordam depois de dormirem durante o período mais frio do inverno. Já nas regiões polares, a primavera começa mais tarde e não dura muito tempo. Durante a primavera os dias são mais longos e a temperatura mais elevada que no inverno. Porém, em países tropicais como o nosso, em muitas regiões a primavera não traz muitas alterações no clima quando comparada ao inverno, principalmente se ele não tiver sido muito rigoroso.
Quando a Bíblia Sagrada foca esta estação colorida, nos passa grande lição. Diz que a vida, a beleza e o vigor da juventude, são coisas passageiras, e a Palavra de Deus é eterna: “Na verdade o povo é relva. Seca-se a relva e cai a sua flor; mas a palavra do nosso Deus permanece para sempre” - Isaías 40. 7 b – 8). 

Época de flores, muitas flores. Assim é reconhecida a primavera, estação que fica entre o inverno e o verão. Então, esse é o momento de se observar a natureza colorida de flores e aproveitar para passar muitas horas em contato com ela. O que acontece na primavera? As flores desabrocham, enchendo os jardins e florestas. 
Que nos “invernos” de nossa vida, quando sentimos que o frio das dificuldades, das amarguras querem nos consumir aproveitemos o reverdecer das plantas e deixemos nosso coração abrasar-se pela Palavra de Deus que nos fortalece e inundemos a nossa vida de radiante esperança: “pois uma arvore tem esperança; mesmo que a cortem tornará a brotar, e não faltarão os seus ramos. Se envelhecer na terra a sua raiz e morrer o seu tronco no pó, ao cheiro da água rebrotará e produzirá folhagem como planta nova” (Jó 14, 7-8)
Que o Mestre de Nazaré nos inspire, e nas turbulências, preocupações e correria da vida, tenhamos a coragem de parar e admirar a natureza como Ele fazia: ”Olhai os pássaros do céu ...olhai os lírios do campo” (Mt 6, 26.28)
Peça ao Senhor a chuva de primavera, pois, é o Senhor quem faz o trovão, quem manda a chuva e lhes dá as plantas do campo. (Zc 10,1)
Que na graça e benção do Senhor da Vida, haja sempre primavera em seu coração!
Deixe germinar a semente do amor, da paz, da fraternidade...
Diác. Flori
http://www.catequesepiracicaba.net/2014/09/a-primavera-esta-chegando.html

EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ -- Solenidade da Exaltação da Santa Cruz

EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ -- Solenidade da Exaltação da Santa Cruz 


A Festa da Exaltação da Santa Cruz, que celebramos hoje, 14 de setembro, é a Festa da Exaltação do Cristo vencedor. Para nós cristãos, a cruz é o maior símbolo de nossa fé, cujos traços nós nos persignamos desde o início do dia, quando levantamos, até o fim da noite ao deitarmos. Quando somos apresentados à comunidade cristã, na cerimônia batismal, o primeiro sinal de acolhida é o sinal da cruz traçado em nossa fronte pelo padre, pais e padrinhos, sinalando-nos para sempre com Cristo.
 A Cruz recorda o Cristo crucificado, o seu sacrifício, o seu martírio que nos trouxe a salvação. Assim sendo, a Igreja há muito tempo passou a celebrar, exaltar e venerar a Cruz, inclusive como símbolo da árvore da vida que se contrapõe à árvore do pecado no paraíso, quando a serpente do paraíso trouxe a morte, a infelicidade a este mundo, incitando os pais a provarem o fruto da árvore proibida. (Gn 3,17-19)


No deserto, a serpente também provocou a morte dos filhos de Israel, que reclamavam contra Deus e contra Moisés (Nm 21,4-6). Arrependendo-se do seu pecado, o povo pediu a Moisés que intercedesse junto ao Senhor para livrá-los das serpentes. Assim, o Senhor, com sua bondade infinita, ordenou a Moisés que erguesse no centro do acampamento um poste de madeira com uma serpente de bronze pendurada no alto, dizendo que todo aquele que dirigisse seu olhar para a serpente de bronze se curaria. (Nm 21,8-9)
 Esses símbolos do passado, muito conhecidos pelo povo (serpente, árvore, pecado, morte), nos dizem que na Festa da Exaltação da Santa Cruz, no lugar da serpente de bronze pendurado no alto de um poste de madeira, encontramos o próprio Jesus levantado no lenho da Cruz. Se o pecado e a morte tiveram sua entrada neste mundo através do demônio (serpente do paraíso) e do deserto, a bênção, a salvação e a vida eterna vêm do Cristo levantado no alto da Cruz, de onde Ele atrai para si os olhares de toda a humanidade. Assim, a Igreja canta na Liturgia Eucarística de Festa: “Santa Cruz adorável, de onde a vida brotou, nós, por Ti redimidos, te cantamos louvor!”
A Cruz não é uma divindade, um ídolo feito de madeira, barro ou bronze, mas sim, santa e sagrada, onde pendeu o Salvador do mundo. Traçando o sinal da cruz em nossa fronte, a todo o momento nós louvamos e bendizemos a Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo, agradecendo o tão grande bem e amor que, pela CRUZ, o Senhor continua a derramar sobre nós.

Pe. Candido Ap. Mariano
Pároco da Paróquia Senhor Bom Jesus – Rio Claro-SP
http://www.catequesepiracicaba.net/2014/09/solenidadeda-exaltacao-da-santa-cruz.html

ENSINO RELIGIOSO: MÊS DA BÍBLIA -- POR QUE SETEMBRO É O MÊS DA BÍBLIA?

ENSINO RELIGIOSO:
MÊS DA BÍBLIA -- POR QUE SETEMBRO É O MÊS DA BÍBLIA?


A IGREJA CELEBRA O MÊS DA BÍBLIA: UM JARDIM FLORIDO COM AS FLORES DE DEUS.
Por causa da Páscoa de São Jerônimo, dia 30 de setembro, autor no Século IV da tradução latina da Bíblia, e grande estudioso e apaixonado pela Sagrada escritura. Este trabalho ele realizou durante 35 anos, em uma gruta de Belém, a pedido do Papa Dâmaso, de 385 a 420.


Desde a majestosa simplicidade da História dos Primórdios nos primeiros capítulos do Gênesis, a vocação de Abraão, a era dos patriarcas, o Êxodo, dominado pela figura empolgante de Moisés, e a grande história do deserto, das maravilhas de Deus, da Aliança do Sinai.


Depois, os Juízes e os Reis, com as figuras insuperáveis de Davi e Salomão. E a divisão do povo em dois reinos: O de Judá e de Israel. O Exílio na Babilônia e a volta e a recomposição.


Tudo isso iluminado pela Palavra dos profetas, que iam mostrando o sentido das coisas de Deus para além das vicissitudes das guerras e do domínio da terra. E tudo cantado em canções de louvor, de súplica e às vezes de dor e contrição. São os Salmos, cuja poesia não é superada por nenhuma poesia humana.
 Depois vem o Novo Testamento, quando Deus, “depois de ter falado mil vezes e de diversos modos aos Pais pelos profetas, falou definitivamente no filho a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e pelo qual fez os séculos” (Hb 1,1s). Nada mais sábio nem mais santo do que o livro do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, nas quatro redações: dos sinóticos e de São João, continuando depois como que num eco de vida e de eficácia no Livro dos Atos dos Apóstolos e nas cartas de São Paulo e de outros apóstolos, terminando com o Apocalipse, que é um cântico de vitória e de esperança.
Na Bíblia, Deus nos revela através de palavras e de acontecimentos intimamente entrelaçados, de tal sorte que as obras ajudam a manifestar e confirmar os ensinamentos e realidades significadas pelas palavras; e estas, por sua vez, proclamam as obras e elucidam o mistério nelas contido (cfr DV 2/162). E Deus se serve de autores humanos, por Ele inspirados e de linguagem humana e até dos gêneros literários usados em cada época para nos manifestar a sua verdade. É o que São João Crisóstomo chamou de “Divina Condescendência”. Deus desce até nós. Fica perto de nós.
 O Mês da Bíblia há de nos ajudar a nos familiarizarmos sempre mais com o texto sagrado, não só pela leitura que deles se faz na liturgia, mas em nossas leituras e meditações pessoais ou nos círculos Bíblicos e grupos de reflexão que hoje fazem crescer tanto a Igreja, alimentada com a Palavra de Deus. E seria muito importante nos lembrarmos de que o Espírito não só inspirou os autores sagrados para que escrevessem os livros, mas continua de algum modo misterioso a inspirar a Igreja e os fiéis, quando lemos esses livros. Por isso mesmo, não se lê a Sagrada Escritura apenas por uma curiosidade científica ou para deleite estético. É um falar com Deus.
Lembramo-nos de que assim se estabelece colóquio entre Deus e o homem, uma vez que ” A Ele falamos quando rezamos e a Ele ouvimos quando lemos os divinos oráculos” (Santo Ambrósio , apud DV 25/196).
http://www.catequesepiracicaba.net/2014/09/mes-da-biblia.html

PRIAPISMO, EREÇÃO PROLONGADA, EREÇÃO DOLOROSA


PRIAPISMO, EREÇÃO PROLONGADA, EREÇÃO DOLOROSA
Priapismo é ereção peniana prolongada e persistente, sem estímulo sexual, maior do que 4 horas de duração. É uma emergência médica e necessita de atendimento sem perda de tempo, geralmente pelo urologista assistente. Apesar de o pênis ficar totalmente rígido por várias horas, esse ereção não dá prazer, por ser dolorosa e preocupante. O priapismo pode ser isquêmico ou não isquêmico e cada caso requer um tratamento diferente.
CLASSIFICAÇÃO DO PRIAPISMO:
Chama-se de priapismo isquêmico, ou de baixo fluxo (veno-oclusivo) a ereção prolongada causada por dificuldade do retorno venoso ou dificuldade no esvaziamento dos corpos cavernosos. Ocorre uma estase venosa e isquemia do tecido peniano. A ereção é dolorosa e o sangue é pobre em oxigênio, de coloração vermelho escura. É o priapismo que normalmente se observa nos pacientes portadores de disfunção erétil que usam medicação injetável vasodilatadora peniana. Outra causa freqüente é a anemia do tipo falciforme vista em homens negros e jovens. 

O priapismo não-isquemico é mais raro, causado pelo aumento do fluxo de sangue arterial no pênis, sendo que o retorno venoso se mantém normal. Ocorre pelo aumento da pressão de oxigênio no pênis, provocado por um chute, uma queda ou uma pancada no períneo formando uma fístula arterial no pênis. O sangue é vermelho mais claro e essa ereção, apesar de prolongada, é indolor. 
DIAGNÓSTICO DO PRIAPISMO:
O diagnóstico é feito pela análise da historia clínica do paciente, e pode ser facilitado por uma ultra-som com doppler a cores: No priapismo não isquêmico a arteriografia ajuda a observar a presença de uma fistula arterio-cavernosa e um aumento do fluxo sanguíneo das artérias cavernosas. No priapismo isquêmico o fluxo de sangue arterial peniano esta diminuído.
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TRATAMENTO DO PRIAPISMO NÃO ISQUÊMICO (ARTERIAL):
No priapismo não isquêmico (arterial), devemos acompanhar a melhora e eventual cura espontânea. Não requer tratamento imediato, podendo ter resolução espontânea. Casos mais difíceis podem exigir o tratamento cirúrgico sendo que a cirurgia mais freqüente é a embolização seletiva da artéria lesada. 

TRATAMENTO DO PRIAPISMO ISQUÊMICO (VENOSO): No priapismo isquêmico o tratamento começa com a medicação oral. Em geral adotamos anti-hipertensivos de ação rápida como medida inicial, associados a um tranqüilizante suave, quase sempre com bom resultado. Se ao final de 2 ou 3 horas não houver a detumescencia peniana desejada, fazemos a injeção intracavernosa de fenilefrina diluída em soro fisiológico, junto com a aspiração seguida de lavagem dos corpos cavernosos com soro fisiológico. Nos raros casos em que a lavagem e aspiração dos corpos cavernosos não for suficiente, faz-se a derivação e drenagem para o corpo esponjoso através de uma fistula distal no pênis. 
Priapismo
 Erecção persistente, dolorosa e não acompanhada de

desejo sexual. Caracteristicamente há erecção dos
corpos c...
Priapismo
Diagnóstico
 Clínico
 Gasimetria dos corpos cavernosos
 Ecoddopler peniano
 Angiografia
Priapismo
Tratamento
 Emergência urológica
 Risco de disfunção eréctil se > 12-24 horas de evolução
 Medidas gerais: hi...
O priapismo deve ser tratado de imediato e sem perda de tempo. Qualquer tempo maior do que 4 horas de ereção deve ser comunicado ao médico assistente para que se inicie os procedimentos de controle. Um priapismo que perdure por mais de 24 horas tem risco de evoluir com fibrose dos corpos cavernosos que perderiam a sua elasticidade necessária para a ereção. Caso a fibrose se instale, e a disfunção erétil resultante não responda aos procedimentos conservadores, o implante de prótese peniana se impõe como tratamento para esses pacientes. 

SAUDE S/A

A Falha de San Andreas

Gás hélio em falha geológica causa alerta de terremoto destruidor em LA
Cena do filme "Terremoto - A Falha de San Andreas" (2015), do diretor Brad Peyton

A cena de um grande terremoto destruindo pontos turísticos dos Estados Unidos, como mostrou o filme "Terremoto - A Falha de San Andreas", do diretor Brad Peyton, pode não ser mais só algo restrito às telonas.

Um relatório do serviço geológico dos EUA alertou que o risco de "um grande terremoto" atingir o Estado da Califórnia aumentou dramaticamente, após cientistas descobrirem um vazamento de gás hélio na falha de Newport-Inglewood, perto de Los Angeles, a 64 quilômetros da falha de San Andreas.
Segundo cientistas, o achado também lança uma nova luz sobre a região da Bacia de Los Angeles. Ele revela que a falha é muito mais profunda do que se pensava, e um terremoto seria muito mais devastador.
A estimativa para a probabilidade de que a Califórnia seja atingida por um terremoto de magnitude oito ou mais na escala Richter nos próximos 30 anos aumentou cerca de 4,7% a 7%.

O estudo foi publicado no jornal eletrônico da União Geofísica Norte-Americana e da Sociedade Geoquímica.

O geólogo da Universidade de Santa Bárbara Jim Boles encontrou evidências de vazamento de hélio na superfície da Terra ao longo de um trecho de quase 50 quilômetros.

Considerado primitivo, o gás hélio é um vestígio do Big Bang, e sua única fonte terrestre é a superfície.

De acordo com o geólogo, a falha Newport-Inglewood parece estar localizada em uma zona de subducção, em que uma placa tectônica afunda sob outra, de 30 milhões de anos de idade, por isso é surpreendente a presença do gás ao longo da superfície terrestre.
"Os resultados são inesperados para a área, porque a bacia de Los Angeles é diferente das superfícies onde ocorre a maioria dos vazamentos de hélio", disse Boles em entrevista ao site de notícias britânico Daily Mail.

"Tivemos sorte de que a atividade sísmica na Califórnia tenha sido relativamente baixa ao longo do século passado", disse Tom Jordan, diretor da Southern California Earthquake Center e co-autor do estudo.

"Mas sabemos que as forças tectônicas estão apertando continuamente o sistema da falha de San Andreas, fazendo com que grandes terremotos sejam inevitáveis", completa.

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