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sábado, 29 de agosto de 2015

O café, poema de Armindo Rodrigues

David Azuz (Israel 1942) serigrafia Paris
Café em Montparnasse, Paris

David Azuz (Israel, 1942)
Serigrafia
 O Café

Armindo Rodrigues


Aqui, no café, sabe-se tudo
e junta-se gente vinda
de todos os cantos do mundo.

Aqui, no café, esquece-se o tempo
e nascem ideias extraordinárias
até dos gestos irrefletidos.

Aqui, no café, sonho mais à vontade
que sou tudo o que sonho
e não tenho medo de nada.

Aqui, no café, todos sabem que sou
um homem como outro qualquer
que vem aqui todas as tardes.


Em: Voz arremessada no caminho; poemas, Armindo Rodrigues, Lisboa: 1943, p. 53

Meia-noite, poesia infantil de Olavo Bilac

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Cascão conta carneirinhos ao dormir, ilustração de Maurício de Sousa.
 Meia-noite
Olavo Bilac
  
O filho:

Ó Mamãe! quando adormecem
Todos, num sono profundo,
Há mesmo almas do outro mundo,
Que aos meninos aparecem?

A mãe:

Não creia nisso! É tolice!
Fantasmas são invenções
Para dar medo aos poltrões:
Não houve ninguém que os visse.

Não há gigantes nem fadas,
Nem gênios perseguidores,
Nem monstros aterradores,
Nem princesas encantadas.

As almas dos que morreram
Não voltam à terra mais!
Pois vão descansar em paz
Do que na terra sofreram.

Dorme com tranquilidade!
— Nada receia, meu filho,
Quem não se afasta do trilho
Da justiça e da bondade.

Em: Poesias infantis, Olavo Bilac, Rio de Janeiro, Francisco Alves: 1949, 17 ª edição, pp- 72-3

O Brasil, poema de Renato Sêneca Fleury, para o dia da Pátria

Igreja de Santo Antônio da Barra, 1951

José Pancetti ( Brasil, 1902-1958)
Óleo sobre tela,  60 x 73 cm
Museu Nacional de Belas Artes,  Rio de Janeiro

O BRASIL

                                  Renato Sêneca Fleury


Perguntei ao céu tão lindo,
— Por que é todo cor de anil?
Ele me disse, sorrindo:
— Eu sou o céu do Brasil!

Perguntei ao Sol, então,
A causa de tanta luz.
— Sou a glorificação
Da Terra de Santa Cruz!

Depois perguntei à Lua:
— Por que noites de luar?
— É para enfeitar a tua
Grande Pátria à beira-mar.

Perguntei às claras fontes:
— Por que correis sem cessar?
— Nós brotamos destes montes
Para a terra fecundar!

Então eu disse à floresta:
— És tão bela, verde inteira!
Ela respondeu em festa:
— Sou a mata brasileira!

Perguntei depois às aves:
— Por que estais a cantar?
— Cantamos canções suaves
Para tua Pátria saudar.

Céu e sol, luar e cantos,
Florestas e fontes mil
Enchem de eternos encantos
És minha Pátria, — o Brasil!




Renato Sêneca de Sá Fleury ( SP 1895- SP 1980) Pseudônimo: R. S. Fleury, ensaísta, pedagogo, escritor de Literatura Infantil, professor, professor catedrático de Pedagogia e Psicologia, jornalista, membro da Academia de Ciências e Letras de São Paulo, membro fundador do Centro Sorocabano de Letras.


Obras:

Anchieta    
Ao Passo das Caravanas    
Barão do Rio Branco,  1947  
Contos e Lendas Orientais  1941  
Francisco Adolfo de Varnhagen  1952  
História do Pai João  1939  
José Bonifácio    
Osvaldo Cruz    
Rui Barbosa
Almirante Tamandaré
Santos Dumont
A Vingança do João de Barro/ A Jóia Encantada/ Quem faz o Bem
Ao Passo das Caravanas
As Amoras de Ouro
Breves Histórias Orientais
Cálculo Escolar, 1945
Como é bom trabalhar!
Consultor Popular da Língua Portuguesa
Contos e lendas do deserto
Contos e lendas orientais
Correspondência para todos, 1944
D. Pedro II, 1967
Duque de Caxias,
Emendas à gramática
Gusmão, o padre voador, 1957
Heroínas e mártires brasileiras
História do Corcundinha
Histórias de Bichos, 1940
No reino dos bichos, 1940
O caminho de ouro, 1957
O esposo, a esposa, os filhos
O Padre Feijó
O Padre Gusmão
O Pássaro de ouro
O Pequeno polegar
Os vasos de ouro e as rosas do dragão
Proezas na roça
Prudente de Morais
Visconde de Mauá
 —-

Giuseppe Gianinni Pancetti (Campinas SP 1902 – Rio de Janeiro RJ 1958). Pintor. Muda-se para a Itália em 1913. Em 1919, ingressa na Marinha Mercante italiana e viaja por três meses pelo Mediterrâneo. Em 1920, de volta para o Brasil, executa diversos ofícios; trabalhando em fábrica de tecidos, como ourives e garçom, entre outros. Conhece o pintor Adolfo Fonzari (1880-1959) e auxilia-o na pintura decorativa de uma residência. Em 1922, alista-se na Marinha de Guerra brasileira, onde trabalha por mais de vinte anos. Em 1933 ingressa no Núcleo Bernardelli e recebe orientação de Manoel Santiago (1897-1987), Edson Motta (1910-1981), Rescála (1910-1986) e principalmente do pintor polonês Bruno Lechowski (1887-1941). Participa das exposições do Salão Nacional de Belas Artes, sendo premiado em várias edições. É considerado um dos principais pintores de marinhas do país.

Uma anedota da vida de D. Pedro I, pelas comemorações da Independência

 “D. Pedro, como príncipe, recebia muito pouco dinheiro.  A sua pensão era ridícula: um conto de réis! E não havia força de D. João sair daquilo.  O rei era um sovina tremendo.   D. Pedro, temperamento de irrefletido,  inteiramente oposto ao do pai, gastava às mãos cheias,  estouradamente, esbanjadamente.  Por isso mesmo, enquanto príncipe, D. Pedro viveu em aperturas desesperadas.  Mais duma vez, nos seus apuros, o herdeiro do trono recorreu a empréstimos envergonhantes. O Pilotinho, bodegueiro da Rua dos Borbonos,  forneceu-lhe certa ocasição, doze contos de réis.   Manuel José Sarmento, pessoa pacata,  antigo oficial da secretaria, socorreu-o muitíssimas vezes com quantias fortes.  Ora, diante da usura do pai, para sair daquela situação humilhante de empréstimos e mais empréstimos, o príncipe tomou uma resolução heróica: resolveu ganhar dinheiro!  Resolveu ganhar dinheiro a todo o transe, de qualquer jeito, desse no que desse.   E que é que engendrou aquela cabeça de vento?  Apenas isto:  fazer uma sociedade mercantil com o Plácido.  [ Plácido Imaginar e executar foi um pronto.   Apalavraram logo o contrato.  E ambos, unindo os seus destinos, meteram-se a negociar.   Um príncipe, o herdeiro do trono,  a negociar de parceria com o seu barbeiro!  Imaginai um pouco…  E negociar em quê:  Na única coisa de que D. Pedro realmente entendia: compra e venda de animais.,,
A sociedade principiou a funcionar sem demora.  D. Pedro, em companhia do Plácido, ia quase toda manhã ver as tropas que chegavam.   Escolhia, num relance, os animais mais belos.  Um golpe de vista espantoso!  Apartava-os, pagava-os, mandava-os para as cavalariças do Paço.  Diziam os tropeiros que “o moço tinha faro: enxergava logo a flor da manada…”
Depois, na cidade, a engrenagem do negócio era das mais simples.  Uns dias de trato, os animais engordavam, o pelo reluzia.   O Plácido saía então em busca dos compradores.   Uma facilidade.  Bastava dizer a um daqueles fidalgotes endinheirados:
— O príncipe resolveu vender um belo animal.  Belíssimo animal!  É um dos mais soberbos das cavalariças do Paço.  Por que Vossa Mercê não aproveita a ocasião?
O homem não titubeava.  Corria ao Paço, via o cavalo, achava-o perfeito, comprava por qualquer preço.  E saía honradíssimo, cheio de orgulho, a esparramar pela corte que adquirira um “cavalo das cavalarias reais…”
A sociedade, evidentemente, começou a prosperar.  Os dois parceiros puseram-se a ganhar dinheiro à vontade.  Dinheiro a rodo.  D. Pedro andava contentíssimo!  O negócio era dos melhores, dos mais certos.
— Um negocião da China, como dizia alvoroçadamente o príncipe ao barbeiro; um negociação da China!  E dizer que até hoje ninguém ainda teve essa idéia!
Mas, um dia, por fatalidade, aquela história foi parar aos ouvidos do rei.  D. João VI branqueou.  Nunca, na sua vida, o pobre monarca enfureceu tanto!  Aquela leviandade do príncipe revirou-lhe os nervos.  Sacudiu-o.  Mandou chamar imediatamente o filho. 
D. Pedro, ao entrar, deparou com o pai de pé, revolucionado, o cenho torvamente cerrado.  O rei tinha na mão sua grossa bengala de castão de ouro.  E numa fúria, espumejando:
—  Então seu grandíssimo canalha, vosmecê a negociar em animais?  E a negociar em parceria com o Plácido, o barbeiro?  Pois, vosmecê, o herdeiro do trono, não tem vergonha nessa cara?  O que eu deveria fazer, seu cachorro, era quebrar-lhe a cara com essa bengala?  Quebrar-lhe a cara, ouviu? 
E erguia a bengala no ar, e bramia, e descompunha, e gaguejava de cólera.  D. Pedro não negou.  Confessou tudo com firmeza.  D. João mandou buscar o Plácido.  E ali mesmo:
— Você,  de hoje em diante, está proibido de se meter em qualquer negócio com o príncipe.  A sociedade está liquidada.  Lucro, se houve, que fique com você.  Não admito que meu filho toque num real dessa patifaria.
E desfez a sociedade.
Está claro que havia muitíssimo lucro no negócio.  E o Plácido, o felizardo, ficou-se com aquele dinheirão todo.  Principiou desde aí, com esse capital, a prosperar na vida.  Ficou riquíssimo.  Terminou numa das mais grandiosas fortunas do Primeiro Império.”

Em:  As maluquices do imperador, Paulo Setúbal, São Paulo, 1947: Clube do livro., páginas 64-66.

NOTA DA PEREGRINA:  O amigo de D. Pedro era  Plácido Pereira de Abreu, que mais tarde se casou com a filha do Marquês de Inhambupe. 
 —-

paulo_setubal

Paulo Setúbal de Oliveira, ( Tatuí, SP 1893 — SP, SP, 1937) advogado, jornalista, ensaísta, poeta e romancista. Formou-se em Direito em 1914.  Trabalhou como colaborador do jornal O Estado de São Paulo. Foi eleito deputado estadual (1928 / 1930), renunciou ao mandato por problemas de saúde. Em 06 de dezembro de 1934 foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras

Obras:

Alma cabocla, poesia (1920);
A marquesa de Santos, romance-histórico 1925
O príncipe de Nassau, romance histórico, 1926
Um sarau no pátio de São Cristóvão, teatro,  1926
As maluquices do Imperador, contos-históricos, 1927
A bandeira de Fernão Dias, contos-históricos, 1928
Nos bastidores da história, contos, 1928
O ouro de Cuiabá, história, 1933
Os irmãos Leme, romance, 1933
El-dorado, história, 1934
O romance da prata, história, 1935
O sonho das esmeraldas, romance, 1935
A fé na formação da nacionalidade, ensaio, 1936
Confíteor, memórias, 1937
Ensaios históricos (obra póstuma)

Quadrinha infantil pelo dia da Independência

 Foi o Príncipe D. Pedro
Altivo, forte e leal,
Quem tornou independente
A nossa Terra Natal!

(Walter Nieble de Freitas)

POEMA: Pátria Amada...

Pátria Amada...


Dívida interna, 
dívida externa, dúvida eterna...
A improdutiva agiotagem 
sangrando a produção.
A produção como mero negócio, 
distante do abastecimento.
A produção a sustentar 
os bancos e o estado.
O estado que perdeu sua função social, 
que voltou-se para o próprio umbigo.
O estado que tem zelo com a receita, 
que vive a cobrar os deveres do cidadão.
O estado que brinca com a despesa, 
que é parcimonioso com os direitos do cidadão.
O estado que tudo privatiza, 
mas que cobra custo cada vez maior 
por seus não-serviços.
O governo de economia de mercado 
que cria grandes oligopólios 
nos serviços públicos.
Uma pseudodemocracia, 
onde a falta de educação cidadã 
curva-se ao marketing político.
Homens sem sentido público, 
oportunistas estruturais, 
assaltantes do erário público.
Locupletadores ,corruptos; 
transformam em renda particular 
os recursos da sociedade.
Infância perdida, 
a educação de faz-de-conta, 
o sustento dos números estatísticos.
Os professores transformados 
em massa de manobra, 
em fantoches ocasionais.
População doente, 
a assistência à saúde visando lucro, 
os interesses dos laboratórios.
Os consumidores escravos 
de suas doenças, 
a espoliação dos debilitados.
Saúde restrita e remédios caros. 
Muitas taxas e contribuições, 
reduzidos serviços.
Previdência, tão bem lembrada 
na hora de ser paga!
Elevada ao status de benfeitora
ao pagar aquilo que é mera obrigação.
Segurança insegura, 
polícia enfraquecida 
para compensar a inoperância social.
Vidas sacrificadas, 
homens despreparados, 
a força do crime organizado.
O cidadão honesto 
é transformado em refém do crime.
A sustentação de uma legislação pró-marginal,
O sistema carcerário que nada corrige, 
fonte de “bons negócios”.
União de alto custo com inoperância, 
a maximização do fracasso.
Justiça, base da civilização, 
pervertida em parcialidade 
e sentenças absurdas.
Pais dos recursos processuais, 
com imoralidades 
sendo legitimadas pela “legalidade”.
A punibilidade às avessas; 
disse um poeta : 
“os assassinos estão livres, 
nós não estamos”.
A descrença na lei, 
a doença que costuma debilitar 
as instituições democráticas.
Descaso ambiental, 
o extrativismo alucinado, 
florestas são apenas 
metros cúbicos de madeira,
Toda a riqueza mineral do solo 
sendo “exportada”, 
beneficiando a poucos e não o país.
Poderosas máquinas, 
alta produtividade,
muitos dólares, 
tudo por grandes negócios.
Tudo é vendável, 
todos os recursos naturais 
transformados em bugigangas.
O assistencialismo que deveria ser urgencial
transformado em perene meio de vida 
dos que deveriam assistir,
enquanto é mantida 
a miserabilidade dos assistidos.
A ética, pobre entidade impalpável, 
direcionada conforme os interesses vigentes,
com os seus destratores 
manipulando-a 
quando defendem-se dos seus crimes.
É o anti-ético que defende-se pela ética, 
é o criminoso que protege-se na justiça.
País da infância perdida, 
das mães-crianças, 
da sensualização prematura,
Da deseducação sexual, 
somada à programação pró-sexo 
dos meios de comunicação.
Fosse pesadelo seria terrível, 
fosse realidade seria aberração.
Mas por que perder tempo com tudo isto?
Louvemos os governantes 
criadores de pechinchas,
Os traiçoeiros vendedores 
daqueles que os elegeram,
por uma quantia módica. 
Chamemos algum “falso profeta” 
para dar uma bênção.
Que chorem em silêncio 
aqueles que emocionam-se 
com flâmula verde-amarela.
Que Deus realmente 
tenha olhos para o Brasil.
Que seja Ele o Deus 
de amor do Cristo.
Que seja Ele 
também o de Moisés,
fazendo justiça divina 
onde existe tamanho descuido 
pela justiça dos homens,
pois somente a crença no Divino pode 
consolar tamanha falência humana.

http://uneversos.com/poesias/47973

Poesia da semana PÁTRIA -- Ó Pátria Amada

Ó Pátria Amada

Ó pátria amada, 
Diga-me, quem ainda te ama?
O povo heróico ama o dinheiro, 
O brado que retumba reclama

E me diga, ó liberdade,
O que brilha no meu céu,
A mancha das falsidades?
Meu brilho hoje está ao léu.

Quem conquista com braço forte?
Os governantes não governam.
E o povo vai pela sorte,
Ó pátria amada, quem ama?

De tanta esperança, a terra desceu, 
E hoje estamos num mundo moderno, 
Desce terra, desce!
E hoje descemos ao inferno!

Salve! Me Salve Pátria amada,
O Sol da liberdade é frio,
cadê os risonhos, lindos campos?
Só vejo terrenos Baldios.

Terra adorada, 
Entre outras mil,
Muito obrigado,
Por NADA Brasil!

https://sitedepoesias.com/poesias/92245

Poesia da semana PÁTRIA -- Pátria Amada Vazio

Pátria Amada Vazio

Brasil, pátria amada é abstrato
Extratos extravagantes
Vagantes que odeiam Brasil
Gigantes rodeiam...

Vazio, é o que todos lutam contra
Lutos de almas invadidas... 
Inválida vida dividida em rendas
Restam retalhos, retaliações

Vazio, é o que tolos cheios de posse
Fingem pra si não ter
Promentem pra se manter...
E correm de encontro ao vento

Inventam ambições contra o movimento
Das órbitas do tempo
Tempo é o que não têm
Óbitos! Paralisaram o nosso momento.

Brasil, pátria desarmada
Vazio, átrio desalmado...

https://sitedepoesias.com/poesias/6952

Poesia da semana PÁTRIA -- MINHA PÁTRIA

MINHA PÁTRIA

 
 
Minha pátria, à qual respeito
Por ti tenho afeição
Sou grata ao meu berço  
Sou grata de coração.
 
Minha pátria que admiro
Por ti tenho pleno amor
Seus encantos e belezas
Convida-nos ao louvor.
 
Minha pátria acolhedora 
Da qual tenho  intenso orgulho
Não negas raça ou credo
Acolhe a todos sem murmúrio.
 
Minha pátria esplendorosa
De valor incalculável
Terras férteis, sol, calor
Águas puras és louvável.
 
Minha pátria, tão bela pátria
Saúdo-te mãe gentil
Que entre tantos recebeu
O airoso nome Brasil.



http://uneversos.com/poesias/103224 

Canto Nativo, de Jaime d’ Altavila, poesia para a 3a série, na semana da pátria.

Paisagem, por Aldemir Martins (CE 1922- SP 2006), AST.

CANTO NATIVO

Jaime d’ Altavila


Quando eu morrer,
você rasgue um pedaço deste céu
            E faça dele a minha mortalha.
Quando eu morrer,
            você cave um torrão de terra virgem
            E faça dele o meu travesseiro.
Quando eu morrer,
            você arranque o Cruzeiro do Sul
            E faça das estrelas meus círios.

……………………………………………………………………..

Quando eu morrer,
            você  corte um ramo de pitangueiras
            E cruze, sobre ele, as minhas mãos.
Quando eu morrer,
            você plante sobre a minha sepultura
            uma palmeira de ouricuri.
………………………………………………………………………

Quando eu morrer,
            você diga aos que perguntarem por mim
            Que eu morri como nasci:
                        Brasileiro,
                        Brasileiro,
                        Brasileiro.

Jaime d’Altavila,  pseudônimo de Anfilófio Melo (AL 1895-1970), formado em Direito,  novelista, cronista, poeta, ensaísta, historiador. Fundador da Academia Alagoana de Letras.

Obras:

A Terra Será de Todos  1983  
Canto Nativo  1949  
Estudos de literatura brasileira  1937  
Gênese da literatura alagoana  1922  
Lógica de um Burro  1924  
Luango  1945  
Mil e Duas Noites  1931  
O Tesouro Holandês de Porto Calvo  1961  
Poesias de J. A.  1995
Encontrado em: Vamos Estudar?  Theobaldo Miranda Santos, 3a série primária, Rio de Janeiro, Agir: 1961.

Romance Dos Dois Pedros, poema de Murillo Araújo para a Semana da Pátria

D. Pedro I, o Defensor Perpétuo do Brasil, 1830, por Simplicio Rodrigues de Sá, Museu Imperial de Petrópolis
D. Pedro I, o Defensor Perpétuo do Brasil, 1830, por Simplício Rodrigues de Sá, Museu Imperial de Petrópolis

ROMANCE DOS DOIS PEDROS

Murillo Araújo



Dois Pedros singulares
teve a Pátria na sua construção.
Dois Pedros – duas pedras angulares
serviram de pilares
à Nação.


Intensamente
dois príncipes de sangue
amaram nossa Pátria adolescente.


Um deles – oh o rei moço e enamorado! –
um deles no delírio arrebatado
de uma paixão primeira!
O segundo – nesse êxtase sagrado
que  costuma durar a vida inteira.


E um com brilho da espada, outro com a pena
— ah! cada qual honrou
a terra linda, esplêndida e morena
que desposou.


Um Pedro, desafiando a força e a guerra
quis ser o seu Perpétuo Defensor.
Outro Pedro votou à nossa terra
um mundo de solícito fervor.


Pedro I lhe alcançou, lutando,
a túnica marcial da liberdade.
E a Nação, mal desperta, lhe sorriu.

Pedro II
deu-lhe um manto de glória venerando –
a nobre integridade
que, ante os olhos do mundo,
a revestiu.


Um foi, nas armas, bravo e extraordinário;
outro foi magnânimo e foi justo.


Um foi dominador e temerário;
outro foi sábio, generoso, augusto.


E de tal sorte.
amando a terra moça e bela,
um viveu prestes a morrer por ela,
outro – viveu por ela até a morte.


Encontrado em:

O candelabro eterno: aos moços – este álbum dos avós que criaram o Brasil, publicado pela primeira vez em 1955, parte da  Poemas Completos de Murillo Araújo, 3 volumes, Rio de Janeiro, Irmãos Pongetti:1960


D. Pedro II, o Magnânimo, 1864, por Vitor Meireles (Brasil, 1832-1903), OST, Museu de Arte de São Paulo
D. Pedro II, o Magnânimo, 1864, por Vítor Meireles (Brasil, 1832-1903), OST, Museu de Arte de São Paulo

DIA DE FESTA… Mais um poema de Murillo Araújo na semana da pátria

DIA DE FESTA… Mais um poema de Murillo Araújo na semana da pátria

Dragões da Independência, Foto de Cláudio Reis

DIA DE FESTA…

Murillo Araújo

Olho o céu mais contente.


Por que tantas bandeiras
batem alegremente,
como grandes pavões, as asas verde e ouro,
inquietas e ligeiras?


Por que passam soldados
e nas armas têm flores?

Por que estrondam dobrados
com clarins e tambores?



Por que todos na escola, reunidos, cantamos,
todos nós, mais de mil?!



É o Brasil que faz anos…


É o Brasil que faz anos:
Viva o Brasil!



Murillo Araújo – (MG 1894 – RJ 1980) jornalista, formado em direito.  Poeta.

Retirado de: A Estrela Azul: poemas para crianças, 1940 em Poemas Completos de Murillo Araújo

Murillo Araújo: Dois Tesouros na Pátria — para a semana da pátria

A Pátria, 1905, Pedro Bruno, (RJ 1888-1949), óleo sobre tela, Museu Histórico do Rio de Janeiro.

DOIS TESOUROS NA PÁTRIA


Murillo Araújo



O mestre disse: “Adora a tua terra!
É um prodígio glorioso e sem segundo.

Quanto ouro verde em cada verde serra,
quanto ouro de astros neste céu profundo
entre montanhas grandes como o mundo!

Adora nossa pátria e nossa história.
Pensa nos que iam à chuvarada e aos sóis
lutar, morrer com a glória da vitória…
e adora nossa pátria em seus heróis!”

Mas – terra de meu sonho e meus desejos –
eu te amo mais – oh meu país, perdoa –
porque, em ti, minha mãe me enche de beijos
e em ti meu  pai me abraça e me abençoa!

E eles são meus heróis de auréola de ouro,
a cuja luz o coração inundo;
e eles são para mim maior tesouro
do que as montanhas grandes como o mundo…



Murillo Araújo – (MG 1894 – RJ 1980) jornalista, formado em direito.  Poeta.

Retirado de: A Estrela Azul: poemas para crianças, 1940 emPoemas Completos de Murillo Araújo [ 3 volumes], Rio de Janeiro, 1960, Irmãos Pongetti.

Mais um poema de Brant Horta na semana da pátria.

Ilustração, Maurício de Sousa
Sê brasileiro
                                                            Brant Horta

Se perguntarem, filho, onde
É a terra do teu amor,
Cheio de orgulho, responde:
— Sou brasileiro, senhor.

Não digas  — Sou sergipano,
Sou paulista ou sou mineiro,
Pois serás mais soberano,
Dizendo:  — Sou brasileiro!

Mais que paulistas, mineiros,
Devemos fazer questão
De ser todos brasileiros
De nascença e coração.

Pois não tem entre os Estados
Nem segundos nem primeiros;
São eles férteis legados
De todos nós, brasileiros!



Do livro:  Brasil, minha pátria, — literatura infantil e matérias escolares — 3º livro,  Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir: 1954. 


Francisco Eugênio Brant Horta ( Juiz de Fora, MG 1876 – Rio de Janeiro, RJ 1959) —  Poeta, tradutor, trovador, teatrólogo, jornalista, professor, músico, membro fundador da Academia Mineira de Letras.
Pseudônimos:
1) Brant Horta 
2) Bisneto Fonce

Obras:

As duas Teles, Teatro 1934  
Harpa Eólia, Poesia 1912  
Lirae Carmen, Poesia 1905  
Via Lucis, Poesia 1937  
Minha primeira história do Brasil, 1950