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quarta-feira, 5 de março de 2014

Conheça as mudanças que entraram em vigor com o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.



O português não é mais o mesmo. Depois de dezoito anos de debates, o acordo que unifica a ortografia da Língua Portuguesa em Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste, Brasil e Portugal é uma realidade. No Brasil, as novas regras são obrigatórias desde janeiro para documentos oficiais e para os meios de comunicação, com um período de adaptação para escolas, editoras, vestibulares e concursos até 31 de dezembro de 2012.
Estima-se que o Acordo Ortográfico alterou a escrita de 0,5% das palavras em português brasileiro. Na versão do idioma falada em Portugal, nos países africanos e no Timor-Leste, a mudança é mais representativa e atinge 1,6% do vocabulário, motivo pelo qual Portugal terá um período maior, de seis anos, para se adaptar.
Vale lembrar que apenas a ortografia foi unificada entre os membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). A pronúncia, as relações gramaticais e as diferenças de significados particulares de cada local permanecem as mesmas.
O principal motivo da mudança está no fato de que o português era o único idioma do mundo com duas ortografias oficiais, a brasileira e a portuguesa (por mais que o inglês dos países anglófonos ou o espanhol dos países hispanófonos tenham suas particularidades, essas diferenças são variantes, o que também está previsto no Acordo Ortográfico).
A ocorrência das duas ortografias era um empecilho para a redação de documentos e tratados internacionais, além de dificultar a divulgação e promoção do idioma e a publicação de obras de interesse público. A unificação também tenciona favorecer a definição de critérios para exames e certificados de português para estrangeiros, beneficiar o intercâmbio entre os países lusófonos e estreitar suas relações diplomáticas.
As novas regras
As mudanças estabelecidas pelo Acordo Ortográfico pretendem dar conta de 98% do vocabulário geral da Língua Portuguesa. No Brasil, o impacto se dá, principalmente, na alteração das regras de acentuação e hífen. Já em Portugal as mudanças se concentram na eliminação das consoantes mudas.

As novas regras buscaram um consenso entre as versões brasileira e portuguesa do idioma quando possível, com a manutenção de duas redações oficiais quando não foi possível. Algumas das novidades visam apenas à fixação de normas para usos ortográficos já consagrados pelo uso, como a inclusão das letras “K”, “Y” e “W” no alfabeto, que passa a ter 26 letras. É importante notar que as novas regras não autorizam o uso irrestrito dessas letras – não se permite, por exemplo, que passe a se escrever “kilo” no lugar de “quilo”. As letras são aceitas em nomes próprios de pessoas (os chamados antropônimos) em outras línguas e seus derivados, como Kafka e kafkiano, nomes geográficos (os chamados topônimos), como Kuwait, e siglas, símbolos e unidades de medida universais, como “K” para designar potássio em química ou o uso de “kg” para quilograma.

Acentuação
O sistema de acentuação gráfica foi um dos tópicos que mais sofreram alteração com a reforma ortográfica. As regras de acentuação pré-acordo foram definidas pela Reforma Ortográfica de 1911 e têm como função assinalar tanto a tonicidade (ou seja, a sílaba mais forte) quanto o timbre das vogais. Por esse motivo, existem muitas diferenças entre as regras de acentuação de Portugal e do Brasil, e as divergências são desde sempre um dos principais obstáculos para as tentativas de unificação da língua.

Muitas das vogais que soam abertas em Portugal e nos países africanos – e, por isso, recebem acento agudo – têm o timbre fechado na pronúncia brasileira – levando acento circunflexo. Alguns exemplos: gênio (Brasil) e génio (Portugal), cômodo (Brasil) e cómodo (Portugal), entre outros. Para se respeitar as diferenças, o Acordo Ortográfico prevê a dupla grafia na maioria desses casos. Confira o que muda:

• Trema
É extinto o trema, sinal colocado sobre a letra “u” para indicar sua pronúncia nas sílabas gue, gui, que e qui, que já não era usado pelos outros países da CPLP. Assim, passa-se a adotar grafias como aguentar, frequente, linguística, cinquenta, sequência e sequestro. O sinal é mantido apenas nas palavras de origem estrangeira, como Führer e Müller.


• Paroxítonas
Deixam de ser acentuados os ditongos (encontros vocálicos de uma vogal e de uma semivogal, que é o nome que recebem o “i” e o “u” juntos a uma vogal formando com ela uma sílaba) abertos “-ei”, “-oi”, “-eu” das palavras paroxítonas (aquelas em que o acento tônico – ou seja, a sílaba mais forte – recai na penúltima sílaba). Por exemplo: ideia, assembleia, Coreia, paranoico, jiboia, heroico, apoio (do verbo apoiar), alcateia, asteroide, estreia, epopeia, joia, odisseia, plateia, onomatopeia, geleia, Troia. Mas atenção: a reforma não alterou as regras de acentuação das palavras oxítonas (cuja sílaba mais forte é a última) e proparoxítonas (em que a sílaba tônica recai na antepenúltima sílaba). Assim, os ditongos abertos “-ei”, “-oi”, “-eu” das oxítonas continuam sendo acentuados, como anéis, herói, papéis, chapéu e troféu, assim como todas as proparoxítonas, como árvore e exército.

Também deixam de ser acentuadas as palavras paroxítonas com “-i” e “-u” tônicos que vierem depois de ditongo, como: feiura, Saiupe, bocaiuva.

• “ee” e “oo”
Não se usa mais o acento circunflexo no hiato “ee” das terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos crer, ler, ver e seus derivados. O mesmo vale para as formas no presente do subjuntivo e no imperativo afirmativo do verbo dar (deem) e suas variações: creem, leem, veem, descreem, reveem.

Foi eliminado também o acento circunflexo nos encontros vocálicos “-oo”, como: voo, enjoo, zoo, perdoo.

• Acento diferencial
Não é mais usado o acento diferencial para as palavras homógrafas (com a mesma grafia): pára (verbo parar) e para (preposição); péla (verbo pelar) e pela (preposição); pólo (substantivo), pôlo (substantivo, falcão ou gavião com menos de um ano) e pólo (preposição arcaica); pélo (verbo pelar), pêlo (substantivo) e pelo (preposição); pêro (substantivo, variedade de maçã) e pero (conjunção arcaica); pêra (substantivo) e pera (preposição). Assim, a frase “ele sempre pára para falar com o juiz” passa a ser grafada “ele sempre para para falar com o juiz”.

São mantidos os acentos diferenciais das palavras pôde (terceira pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo do verbo poder) e pode (terceira pessoa do singular do presente do indicativo do verbo poder) e do verbo pôr e da preposição por: Ele não pôde depor ontem, mas pode ir ao tribunal hoje; Ele pediu à secretária para pôr as ligações em espera por causa da reunião.


Hífen
As regras de hífen sempre estiveram entre as mais complexas da Língua Portuguesa. O Acordo Ortográfico procurou simplificar o uso, mas não conseguiu resolver de todo a questão. Na sua função mais simples, o hífen é usado para separar as sílabas de uma palavra (hí-fen), para ligar os pronomes átonos ao verbo (fazê-lo) e para criar conjuntos de letras e números variados (AI-5, Atlético-MG). A principal finalidade do hífen, no entanto, está na formação de palavras compostas. Estabeleceu-se por simples convenção que se ligam por hífens os elementos das palavras compostas em que se mantém a noção da composição, ou seja, no qual os elementos conservam sua noção de composição, porém formando em conjunto uma perfeita unidade de sentido. Essa unidade de sentido pode representar tanto a soma dos significados parciais, como em guarda-civil e matéria-prima, como resultar em sentido figurado, distanciando-se do significado dos termos individuais, como lua-de-mel. No geral, são 30 os prefixos mais usados que podem se combinar a palavras com ou sem hífen – e cada um desses elementos segue normas próprias.


• Palavras compostas
O hífen deixa de ser empregado nas palavras compostas nas quais se perdeu, em certa medida, a noção de composição, ganhando um significado próprio: paraquedas, bateboca, man-dachuva, rodaviva, ferrovelho, tocafitas.


• Prefixos
Como regra geral, o hífen é empregado em todas as composições em que o segundo elemento começa por “h”: pré-história, anti-higiênico, super-homem, neo-helênico, semi-hospitalar. Não se usa, no entanto, o hífen em formações que contêm os prefixos “des-” e “in-”. Nesses casos, o segundo elemento da palavra perde o “h” inicial: desumano, desumidificar, inábil, inumano.


O hífen passa a ser usado nas palavras em que o prefixo termina com a mesma vogal com que se inicia o segundo elemento: anti-ibérico, contra-almirante, infra-axilar, supra-auricular; arqui-irmandade, auto-observação, eletro-ótica, micro-ondas, semi-interno.
O hífen deixa de ser empregado quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com “r” ou “s”. Nesses casos, essas letras serão duplicadas: contrarregras, antirrepublicano, contrassenha, extrarregular. No entanto, usa-se hífen nas formações com os prefixos hiper-, inter- e super-, quando eles são combinados com elementos iniciados por “r”: hiper-requintado, inter-resistente, super- revista. Mas não nos outros casos: hipermercado, interpessoal, superinteressante.
O hífen não é mais necessário quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por vogal diferente: au-toestrada, autoescola, autoestima, extraescolar. O mesmo vale para vocábulos cujo prefixo terminar em vogal e o segundo elemento iniciar-se por consoante: infravermelho, contraprodutivo, neodemocrata.


fonte: http://revistavisaojuridica.uol.com.br/advogados-leis-jurisprudencia/33/artigo128085-1.asp

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